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Foi provavelmente a decisão mais rápida que Sérgio de Bona tomou. Assim que sua esposa, Carla, anunciou que estava grávida, em 2005, ele respondeu sem pestanejar: “Já sei como o bebê vai se chamar: John Deere!”

A mulher ficou um pouco confusa. “John Deere…? Mas de onde você tirou essa ideia?” Então as memórias tomaram conta da cabeça do marido.

É que ele é motorista de caminhão, profissão que adotou tão logo tirou sua habilitação, aos 18 anos. Natural de Farroupilha, tradicional cidade do Rio Grande do Sul. Ele se embrenhava Estado adentro para fazer entregas em supermercados e cooperativas em Horizontina. Tinha a estrada como companhia e vislumbrava com atenção as paisagens dos lugares por onde viajava. E para acessar a rodovia que dá na cidade vizinha Crissiumal, passava com seu caminhão por um endereço que o deixava embasbacado.

Era uma fábrica muito grande, muito bonita: a John Deere. Sérgio ficava impressionado com aqueles tratores, aquelas colheitadeiras, máquinas tão grandes, modernas e bonitas expostas na frente da empresa, com um imenso outdoor, aquela letra grandona.

E tinha o nome também. John Deere. Enchia a boca, soava muito bonito para Sérgio. E era esse o nome que ele queria para o filho.
Carla ouviu atenta, pois não sabia dessa admiração do marido.

A Fábrica de Montenegro produz todos os tratores da John Deere no Brasil
A Fábrica de Montenegro, local de produção de todos os tratores da John Deere no Brasil, recebeu a visita do pequeno Matheus John Deere

Ela até concordou com o nome, brincavam com isso diariamente, mas as coisas aconteceram de outra forma: acabou que o bebê era menina – e não seria nada bom que ela tivesse um nome desses. Batizaram a garota como Érica.

A admiração de Sérgio, porém, seguiu firme, e a cada vez que ele passava na frente da fábrica de Horizontina, sua vontade de chamar um filho de John Deere ficava mais forte. Até tentou convencer a cunhada, que ficou grávida pouco depois – mas a criança também era menina.

A realização da empreitada veio finalmente em 2012. Em uma nova gravidez, Carla estava esperando um menino – e agora, sim, o pequeno John Deere viria ao mundo.

Ele veio, é fato, mas só depois de alguns percalços, em uma gestação que teve uma série de complicações. Religiosa, Carla se apegou à sua fé e lutou por sua vida e pela do filho. Passou vitoriosa pela prova e deu à luz um lindo bebê. O garoto foi nomeado como o pai sonhou, mas também recebeu nome de apóstolo, como forma de agradecimento pela graça alcançada. Nascia o pequeno Matheus John Deere.

Matheus John Deere foi recebido na fábrica de Montenegro
O pequeno Matheus John Deere foi recebido como celebridade na fábrica de Montenegro e a visita em que ele foi o centro das atenções será inesquecível para todos que participaram deste momento tão especial

Vez ou outra, alguém fica intrigado. As pessoas perguntam: “Mas por que você deu para o seu filho o nome de um trator?” Sérgio tem que explicar: não é um trator, é uma empresa! “Mas é igual ao trator?” E lá vai ele contar a história toda. Ele se diverte, mas não se incomoda.

A grande surpresa veio no ano passado, em uma sucessão de coincidências, dessas que sempre fazem as pessoas certas se cruzarem. Hoje, Sérgio e Carla vivem em São Sebastião do Caí (RS). Ela trabalha em um frigorífico. Acontece que uma colega dela é esposa de um funcionário da John Deere de Montenegro. Ao saber do garoto, a colega contou para o marido, que contou para um colega, que contou para outro… E assim foi até que o celular de Sérgio tocasse. Era uma funcionária do RH da unidade de Montenegro, fazendo um convite pra lá de inesperado.

Todo ano, os amigos e familiares dos funcionários da companhia ficam maravilhados. É que algumas unidades da John Deere promovem o Portas Abertas, um evento no qual é possível visitar as instalações da empresa. Para quem não faz parte do dia a dia, é coisa de outro mundo: tantas máquinas, linhas, tratores imensos… Enfim, um dia para matar a curiosidade de como funciona a empresa por dentro.

Em 2018, o Portas Abertas teve um convidado mais do que ilustre: o pequeno Matheus John Deere tinha um encontro marcado com a enorme John Deere.

O evento Portas Abertas acontece em algumas unidades da John Deere
O evento Portas Abertas proporciona conexão e fortalece o engajamento de amigos e familiares dos funcionários com a John Deere

O garoto já chegou como uma pequena celebridade. Foi recebido pelo gerente da unidade de Montenegro, Paulo Rohde, enquanto aqui e ali já se ouvia dizer: “Vem vindo o John Deere!” Uma visita assim era completamente inesperada: o fundador da companhia faleceu em 1886. Sua memória, porém, está bem documentada, sobretudo na célebre frase que justifica a escolha do nome da sua empresa, emoldurada em tantas unidades: “Eu nunca colocaria o meu nome em um produto que não tivesse em si o melhor que há em mim.”

O menino levou um tempo para se soltar: assim como o pai anos e anos antes, estava impressionado com a imensidão de tudo aquilo (e com a súbita atenção de tanta gente). Já Sérgio tinha um outro sentimento: estava conhecendo por dentro tudo aquilo que, tantas vezes, só tinha admirado pelo lado de fora – mais do que isso: agora ele estava finalmente acompanhado do seu filho chamado John Deere. Era um sonho realizado.

Pai e filho visitaram a linha de montagem, conferiram as máquinas expostas (Matheus
John Deere foi fotografado na cabine dos tratores, fez a maior festa), assistiram aos vídeos institucionais e tomaram lanche. Para coroar a manhã, o garoto foi presenteado com seus primeiros John Deere – em versão de brinquedo, que é o que ele pode conduzir. Por enquanto.

O mundo mudou vertiginosamente desde o nascimento de John Deere, o fundador, no começo do século 19, até a chegada de Matheus John Deere, no século 21.

Paulo Rohde, gerente da fábrica de Montenegro, presenteia Mateus John Deere

O primeiro John Deere a gente nunca esquece: Paulo Rohde, gerente da fábrica de Montenegro, dá os primeiros equipamentos ao garoto John Deere

O garoto de 1804 levaria 33 anos até desenvolver o arado que revolucionaria a agricultura, sem ter a menor pista de tudo o que viria pela frente. Em um mundo digitalizado, com produção de alimentos altamente mecanizada, o John Deere de 2012 já brinca com miniaturas de máquinas dotadas de altíssima tecnologia – e pode sonhar desde cedo com um futuro ainda mais transformador. A fronteira, afinal, não existe.

O pequeno Matheus teve seu dia de celebridade, mas a fama não vai passar tão cedo. O pai só o chama de John Deere, e depois da visita inesquecível, ele já sabe: nasceu com nome importante.

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