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Uma boa lição de vida acontece quando menos se espera. Pode vir de um simples compartilhamento de informação, do surgimento de uma ideia inesperada ou da conexão com o outro a partir de um olhar agradecido. Tudo isso já está bem evidente para um grupo de funcionários da John Deere que dedica parte do tempo como voluntário em escolas públicas próximas ao local de trabalho. Eles atuam como mentores, orientando os alunos no dia a dia, promovendo a mágica da transformação das comunidades. Em que área? Robótica!

Equipes de Horizontina na FIRST Lego League com o troféu dos ‘Diamonds’
Equipes de Horizontina na FIRST Lego League celebram o troféu dos ‘Diamonds’ em Programação

O mundo da ciência encanta alguns jovens, mas, para outros, o tema robótica ainda assusta. A proposta dos voluntários, no entanto, é bem clara: desmistificar o assunto, inspirar as próximas gerações de inovadores e conectar os ensinamentos em sala de aula com as experiências práticas. Tornar acessível o que parece distante do cotidiano desses adolescentes.

Participação no projeto de robótica transforma a visão de mundo dos voluntários e muda a perspectiva de vida de alunos de escolas públicas dos 9 aos 16 anos

Voluntária Nathallye Steffen expõe as camisetas do projeto de robótica

“O maior desafio foi trabalhar com as crianças e fazer com que elas se engajem e entendam a necessidade do comprometimento em relação às entregas, além de demonstrar as necessidades na situação como um todo. Sempre procuramos propostas que possam favorecer o engajamento, com a realização de dinâmicas focadas nos valores da FIRST Lego League”, enfatiza a voluntária Nathallye Steffen, 34 anos, analista de Order Fulfillment para Hispano América da John Deere. Para ela, o Programa Voluntários de Robótica significa uma chance de desenvolvimento em um ambiente de aprendizado em conjunto. “É muito gratificante fazer uma pequena diferença para cada um, ver o desenvolvimento dos alunos, além de ter descoberto a facilidade que tenho para lidar com as pessoas”, destaca.

Centenas de participantes do projeto de robótica comemoram no SESI
Além da competição: representar as escolas dá aos alunos orgulho e sensação de pertencimento em algo maior

Com toda certeza, a aprendizagem exploratória estimula os alunos a resolver problemas e a fazer descobertas. O pano de fundo para tudo isso acontecer é a competição FIRST® Lego League, criada em 1998 pela FIRST® (For Inspiration and Recognition of Science and Technology). Os torneios têm como proposta apresentar os alunos ao mundo da ciência e tecnologia de forma divertida, com a construção de robôs feitos inteiramente com peças LEGO® e programados com a tecnologia LEGO® Mindstorms® NXT.

Equipe ‘Soldiers’, em Catalão (GO)
Alegria, união e dedicação ao projeto caracterizam a equipe ‘Soldiers’, em Catalão (GO)

Como tudo começou

Essa história teve início em 2015, quando a Fundação John Deere firmou parceria com seis escolas públicas próximas às unidades fabris da empresa no Brasil. A John Deere adequa a sala de aula nas escolas parceiras, com manutenção da estrutura, instalação de mesa específica para o treino de robótica e disponibilização do kit Lego básico.

Aprendizado de robótica integra alunos, professores e voluntários
Aprendizado de robótica integra alunos, professores e voluntários

Além disso, a Fundação apoia as equipes fornecendo uniforme, deslocamento e hospedagem para participação nos torneios FIRST Lego League, realizados no Brasil pelo Serviço Social da Indústria. A instituição, mais conhecida como SESI, mantém parceria de cooperação técnica com o Programa John Deere Inspire, iniciativa global baseada no STEM, da sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

Projeto de robótica em Indaiatuba (SP)
Projeto de robótica em Indaiatuba (SP) melhorou a imagem da escola perante os alunos e a comunidade local

As escolas formam equipes com até dez alunos, entre 9 e 16 anos, e designam uma equipe para acompanhar os treinos, além de indicar um professor como técnico responsável. Empresa e instituição de ensino também trabalham em conjunto no levantamento dos recursos necessários para cobrir as despesas dos projetos.

Aula de robótica
Aplicação do conhecimento em experiências práticas inspira a próxima gerações de inovadores

Da prática vem o encantamento

A partir daí, os voluntários da John Deere começam a compartilhar conhecimentos sobre como fazer uma pesquisa e segue com o pensamento em conjunto para compreensão sobre a programação de robôs, além do desenvolvimento de planejamento, cronograma e estratégia, incluindo a estruturação financeira para o projeto. O engajamento dos funcionários no Projeto de Robótica é cada vez mais forte. Em Catalão (GO), por exemplo, a iniciativa já conta com o envolvimento de aproximadamente 15 engenheiros.

À medida que o relacionamento entre os voluntários e as equipes das escolas se consolida, a mágica da transformação acontece para ambos os lados. Seja para os voluntários, jovens estudantes e funcionários das escolas, a participação ensina muito mais, abrangendo relacionamento, integração, comunicação, desafios, reconhecimento de conquistas e inspiração, a partir de muitas lições de vida.

Voluntários e alunos do projeto de robótica nas escolas

Bruno Paiva, 29 anos, engenheiro da Qualidade na Unidade de Catalão (GO) da John Deere, também encontrou satisfação ao perceber a própria evolução, a partir do momento em que passou a enxergar as situações de forma abrangente, considerando mais o lado humano de cada pessoa envolvida. Segundo ele, aprender a compartilhar conhecimento e ensinar também foi marcante.
Além disso, Paiva se entusiasma com o desenvolvimento dos alunos, que conquistaram três troféus, no torneio realizado em Goiânia (GO). “Muito pode ser mudado por meio da educação e a evolução dos alunos durante o ano é muito grande. Eles ficam mais responsáveis e demonstram maior comprometimento. A participação também faz com que mudem a visão e o objetivo de vida, sendo que 90% pensam em fazer faculdade de engenharia ou curso técnico”, conta.


Darlis Dreissig, agente de Benefícios da John Deere em Horizontina

O avanço dos alunos que estão no projeto também é destacado por Darlis Dreissig, 24 anos, agente de Benefícios da John Deere em Horizontina (RS). Ela é voluntária desde 2016. “Comparar o início das atividades e o final do projeto em cada ano é incrível. Elas mudam completamente e crescem de uma forma inexplicável, se desenvolvendo com muito mais maturidade. Há exemplos de crianças que são retraídas e fechadas, mas que se dão super bem com programação, pois são muito inteligentes e focadas. Em outros casos, vemos algumas que, mesmo com 12 ou 13 anos, têm a iniciativa de chamar a responsabilidade para si, assumindo papel de liderança”, afirma.

Elaine Datajelo, da EE Professora Deolinda Maneira Severo, em Indaiatuba

Elaine Aparecida Larentis Batajelo, 50 anos, coordenadora pedagógica da Escola Estadual Professora Deolinda Maneira Severo, em Indaiatuba (SP), sempre busca projetos diferentes para oferecer um ambiente agradável de aprendizagem. Sua escola entrou há três anos no projeto de robótica e já houve mudanças expressivas. “Um dos primeiros resultados para a escola é o incremento da imagem junto à comunidade, ficando conhecida como ‘a escola que tem robótica’. Muita gente procura vaga aqui por causa da robótica”, afirma.
Temos grande esforço de comunicação dessa atividade extracurricular. “Levamos todos os alunos para conhecer a sala de robótica, falamos do trabalho realizado e já temos mais de 30 inscritos para o projeto deste ano. A escola passou a ser vista com outros olhos e, já no primeiro ano, fomos chamados para dar um depoimento sobre essa experiência no Inova Day, ação realizada pelo governo estadual paulista”, lembra.

Paulo Lopes era diretor da escola

A transformação também acontece na Escola Estadual de Ensino Fundamental Farroupilha, em Horizontina. Em 2016, Paulo Lopes, 47 anos, era diretor da escola e recebeu com surpresa o convite da Fundação John Deere para participar da iniciativa. “Dar a alunos do ensino fundamental e de baixa renda a oportunidade de lidar com isso é ainda mais relevante, proporcionando a visão da ciência como algo palpável e tangível. Mostrar que é possível eles terem esse contato e usarem esse recurso é como pegar a mão deles e conduzir pelo caminho que é necessário para aprender e enxergar a vida de forma mais ampla, aumentando seus horizontes.

Emily Alves da Silva

A estudante do primeiro ano do ensino médio Emily Alves da Silva, 15 anos, fez parte da equipe da escola em 2018 e reconhece os benefícios da iniciativa. “Foi muito bom porque aprendi muitas coisas e, entre elas, a trabalhar em equipe. Sempre fui uma pessoa muito fechada. Com a robótica, consegui trabalhar mais com meus amigos e melhorar muito meu desempenho na sala de aula”, explica. Emily conta ainda que levará essa experiência pra toda a vida e, agora, está ajudando muitas pessoas a entrar no projeto, apresentando a sala de robótica para outros alunos e explicando o que é preciso para se inscrever.

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