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No início do século passado, a história do Brasil é marcada por um grande movimento imigratório. Centenas e centenas de famílias de alemães, italianos, poloneses, entre outras tantas nacionalidades, vieram em busca de um sonho, ocupando as terras ainda por desbravar no interior do País. Pois, para entender a história da fábrica de Horizontina e como a John Deere fincou pé nessa pequena cidade de seus 20 mil habitantes do noroeste gaúcho, é preciso voltar àquela época e lembrar a história do engenheiro alemão Frederico Jorge Logemann. Ele foi o fundador e primeiro morador da colônia de Belo Horizonte, em 1927, nas terras que recebeu do governo do Rio Grande do Sul, como pagamento por serviços prestados na construção de estradas, ferrovias e pontes, e onde atualmente fica a cidade.

Frederico Jorge Logemann, fundador da SLC
O engenheiro alemão Frederico Jorge Logemann, fundador da SLC

Na localidade, os sotaques se misturavam e os hábitos eram compartilhados, porque afinal o objetivo principal de todos era fazer a terra produzir. Pertencente ao Município de Santa Rosa, a comunidade se sentia incomodada pela colônia carregar o mesmo nome da capital mineira. Não demorou para que passassem a chamá-la de Vila Horizonte. Também não agradou e precisamente em 1943 virou Horizontina. Dois anos depois, Frederico e o amigo Balduíno Schneider fundaram a SLC, uma oficina para desenvolver e reparar ferramentas agrícolas. Finalmente, em 1955 Horizontina conquista a emancipação e se torna Município, tendo como primeiro prefeito o engenheiro Jorge Antônio Dahne Logemann, filho de Frederico e já herdeiro da SLC do pai falecido em 1947.

Como se vê, Horizontina e SLC têm o mesmo DNA e o interesse da John Deere pela empresa e pelo Brasil passa por esses fatores. A John Deere sempre esteve presente no País por meio da exportação de seus produtos já famosos mundialmente. Mas a “afinidade” com a empresa brasileira ia crescendo, por conta, por exemplo, da máquina SLC 65-A, lançada em 1965, sendo a primeira colheitadeira autopropelida do Brasil, baseada na avançada tecnologia do modelo 55 da John Deere.

Decisão

Quando resolveu se associar à SLC, com a aquisição de 20% da empresa gaúcha em 1979, e adquiri-la em definitivo 20 anos depois, a ideia não foi a de simplesmente comprar uma fábrica de equipamentos agrícolas em Horizontina. Certamente, uma decisão como essa é tomada sob análise de diferentes pontos de vista. Afinal, o Brasil já tinha sua vocação agrícola consolidada. Muitos outros lugares poderiam servir, aliás, como servem atualmente, aos planos da empresa. Mas o cenário mostrava a SLC como protagonista por ser líder de mercado e que via com bons olhos o aporte tecnológico que a John Deere poderia oferecer. Por seu lado, a cidade de Horizontina tinha papel de destaque nessa história por estar posicionada estrategicamente perante a explosão do cultivo da soja – que teve início oficial na vizinha Santa Rosa, no Rio Grande do Sul – e a expansão das fronteiras agrícolas para o Cerrado, no final da década de 1960 e ao longo dos anos 1970.

Anúncio da primeira colheitadeira automotriz fabricada em Horizontina
Desfile das colheitadeiras SLC 65-A, lançada em 1965, nas ruas de Horizontina
Desfile das colheitadeiras pelas ruas da cidade de Horizontina

Além disso, tinha um algo a mais. Esse DNA único que enlaçava a empresa à comunidade e que nunca deixou de existir. Em depoimento ao Perfil Institucional em comemoração aos 70 anos da SLC, Elemar Becker, funcionário da companhia desde 1957, e que viveu toda a fase da chegada da John Deere ao Brasil, diz o seguinte: “Um certo dia, lá pelas 4 horas da tarde, começou a rolar o boato que a colheitadeira iria funcionar. Éramos só uns 50 funcionários e todos pararam para ver o Arnaldo Ullmann. (…) Ele sentou na máquina, ligou, engatou o sistema, peneira e tudo, e saiu andando do galpão. Logemann e Schneider foram juntos, foi todo mundo atrás, cheio de emoção. Saímos pela cidade, e quando passamos pelo primeiro comerciante, foi um foguetório, sem nada encomendado nem programado. A cidade se emocionou”.

Compromisso

Com o passar dos anos, as trocas entre empresa e comunidade só foram se intensificando. “Em 1999, quando ocorreu a venda da fábrica de Horizontina da SLC para a John Deere, mesmo que nada tenha sido oficialmente registrado, o desejo da família Logemann foi sempre de que a empresa permanecesse em Horizontina. De lá para cá, a John Deere expandiu seus negócios no Brasil, com as fábricas de Montenegro, Indaiatuba, Catalão, mas nunca deixou de investir em Horizontina – o que demonstra a responsabilidade e o compromisso da empresa com a comunidade que representa a sua origem no Brasil”, acentua Eduardo Logemann, presidente do Grupo SLC.

Não à toa uma nova fábrica de padrão internacional começou a ser erguida em Horizontina em 1987. Uma gigante de 62 mil metros quadrados inserida em um terreno de 800 mil metros quadrados. Ou seja, mais geração de empregos e recursos para a comunidade. “Para nossa família, que foi fundadora desta cidade – cujo primeiro prefeito foi nosso pai – e onde começou a história da nossa empresa, é motivo de muito orgulho e satisfação acompanhar e participar desta relação de união existente entre a John Deere e a comunidade horizontinense”, acentua Jorge Logemann, vice-presidente do Grupo SLC. Mesmo ainda considerada uma cidade pequena, Horizontina é reconhecida não apenas por ser a terra natal da supermodel Gisele Bunchen, mas também pelo título de Berço Nacional das Colheitadeiras Automotrizes. É de lá que saem as colheitadeiras de grãos que colhem grande parte da safra de soja brasileira.

Vista aérea de cima da Fábrica 1 nos anos 1980
Fábrica 1 nos anos 1980 já ocupava uma grande área praticamente dentro da cidade
Os irmãos Jorge e Eduardo Logemann, netos de Frederico, respectivamente vice-presidente e presidente do Grupo SLC
Os irmãos Jorge e Eduardo Logemann, netos de Frederico, respectivamente vice-presidente e presidente do Grupo SLC
Vista aérea de cima da fábrica de Horizontina
Desenvolvimento em conjunto: evolução da operação da John Deere impulsionou a atividade econômica em Horizontina nas últimas décadas

Como costuma dizer o presidente da John Deere Brasil, Paulo Herrmann, a empresa gosta das pequenas cidades, porque aumenta muito a aderência das pessoas em torno da marca. “Há afinidade, pois geralmente pais e filhos trabalham juntos e ajudam a reforçar os valores da companhia perante a comunidade e, de outro lado, a empresa se alinha à cultura local. Isso é de grande valor para nós”, conclui.

Paisagismo na Fábrica de Horizontina
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