Fale com o John Deere Journal

Confira a história de Marize Porto, proprietária da Fazenda Santa Brígida, sobre como o ILPF transformou a operação agropecuária, comprovando o conceito de que produção e preservação podem caminhar juntos

Em 10 anos, área ocupada com ILPF saltou de
1,87 milhão de hectares para praticamente 15 milhões de hectares

A preservação do meio ambiente é um assunto que fervilha no mundo. Há pelo menos 30 anos, governos e entidades internacionais debatem constantemente o tema e firmam acordos, principalmente para a contenção da emissão de gases do efeito estufa. O sistema ILPF é uma tecnologia que vai ao encontro destes anseios e ajuda a produzir e preservar ao mesmo tempo.

Em seu livro Tons de Verde – A Sustentabilidade da Agricultura no Brasil, lançado em meados de 2018,o engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa, Evaristo de Miranda, mostra realidade bem diferente, que tem como um dos atores principais o sistema ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta). “De acordo com a Plataforma ABC (grupo multi-institucional formado para monitorar a redução na emissão de gases do efeito estufa), entre 2010 e 2015, com o incremento de quase 6 milhões de hectares de sistema ILPF no Brasil, foi possível sequestrar 21,8 milhões de toneladas de CO2”, diz.

A tecnologia do sistema ILPF já é conhecida e continua em franco desenvolvimento no Brasil. Em 10 anos, a área ocupada com essa tecnologia saltou de 1,87 milhão de hectares para praticamente 15 milhões de hectares, de acordo com os últimos dados do IBGE de 2017. Segundo o diretor executivo da associação Rede–ILPF, William Marchió, “de 15 milhões de hectares com algum arranjo, 83% são ocupados pela integração Lavoura-Pecuária e os 17% restantes com o arranjo integral, que inclui também a floresta”, projeta ele. “Temos cerca de 60 milhões de hectares de pastagens degradadas e acreditamos que pelo menos 50% desta área possam ser convertidos com sistemas integrados de produção”. A Rede-ILPF é uma entidade mantida por empresas privadas, entre as quais a Syngenta, a Cocamar, o Bradesco e a John Deere. Criada em 2012, a associação tem o objetivo de acelerar a adoção das tecnologias do sistema ILPF e apoia a Rede com 107 Unidades de Referência Tecnológica (URTs), distribuídas em todos os biomas brasileiros, que envolve a participação de 22 Unidades de Pesquisa da Embrapa.

Aumento de quase 6 milhões de hectares na área com o sistema ILPF, entre 2010 e 2015, possibilitou a neutralização de 21,8 toneladas de CO2

Benefícios evidentes

A adoção do sistema ILPF traz benefícios evidentes tanto aos produtores rurais, como para o meio ambiente e a sociedade. Um deles, por exemplo, diz respeito a amenizar os riscos econômicos da monocultura. “É como colocar todos os ovos em uma única cesta”, analisa o presidente da John Deere Brasil, Paulo Herrmann. “Se ocorrer uma estiagem a perda pode ser grande. E também há o outro lado, pois havendo superprodução de determinado produto, corre-se o risco de não remunerar e não atingir nem o break even”. Herrmann acrescenta ainda que o sistema é totalmente adequado ao ser aplicado em um país tropical como o Brasil, com aptidão para uma agricultura diversificada. Além dos aspectos econômicos, é importante destacar os benefícios sociais. “Diferente do sistema convencional, que utiliza mão de obra apenas até a colheita, o sistema ILPF gera empregos estáveis ao longo do ano, desenvolve a força de trabalho, a qualificação”. O presidente da John Deere também destaca o fato de o ILPF promover a recuperação dos perfis físico e químico do solo. “A cobertura aumenta a matéria orgânica, ajuda a reter água”.

Outro dado expressivo que traz o livro Tons de Verde é relativo à pecuária brasileira, que registra inversão quando se analisa o crescimento do rebanho versus as áreas de pastagens. Segundo dados da Plataforma ABC, em 1990, eram 150 milhões de cabeças para uma área de pastagens de 190 milhões de hectares, sendo que, em  2016, foram contabilizadas 210 milhões de cabeças para 165 milhões de hectares de pastagens. Essa nova realidade da pecuária brasileira ajudou a manter mais de 100 milhões de hectares de vegetação nativa. Não à toa 84% dos pecuaristas se mostram amplamente satisfeitos com o ILPF, segundo a Plataforma ABC. Entre eles está Marize Porto, que há mais de uma década assumiu a gestão da Fazenda Santa Brígida, em Ipameri (GO). Ela conta que se deparou com a dura realidade de milhares de produtores rurais que precisam recuperar solos degradados: alto custo financeiro; dificuldade de crédito bancário e, principalmente, a falta do domínio da tecnologia para reverter a situação. A solução veio de uma das combinações do ILPF, a Integração Lavoura-Pecuária. “Três anos depois, com a evolução do sistema, introduzimos a floresta de eucaliptos completando o ciclo (ILPF), integrando totalmente a produção de grãos com a pecuária e com a produção de energia e madeira, contribuindo para o equilíbrio ambiental da propriedade”. A Santa Brígida se transformou em uma fazenda modelo no sistema ILPF e os benefícios foram evidentes.

 Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil, com clientes no Dia de Campo da Fazenda Santa Brígida, em Ipameri – GO
Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil, com clientes no Dia de Campo da Fazenda Santa Brígida, em Ipameri – GO

“O agropecuarista atualmente tem plena consciência dos benefícios econômicos e segurança climática que os sistemas integrados conferem aos arranjos produtivos”, destaca Marchió. “A produção de grãos chega a ser superior em 20% nos sistemas integrados, quando comparado a sistemas tradicionais”. Soja, gado e eucalipto compõem o sistema ILPF mais comum e mais produtivo.  “É possível produzir e preservar e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta é um dos caminhos para esta produção sustentável. Isso representa muita responsabilidade social e ambiental”, conclui Paulo Herrmann.

Sistema de combinação Pecuária-Floresta

Uma combinação para cada necessidade

O sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) permite diferentes combinações. Pode integrar os três sistemas ao mesmo tempo, mas também combina Lavoura com Pecuária apenas ou uma dessas duas com Floresta. Isso depende de fatores como o tipo de solo, relevo, clima, entre outros.

Gerson Bortoli, da fazenda Flamboyant
Gerson Bortoli, da fazenda Flamboyant:
“Lá se vão 15 anos quando começamos o sistema ILP. Após a integração, a produtividade da fazenda praticamente dobrou a receita”

No Paraná, a experiência de Gerson Magnoni Bortoli em suas fazendas – Flamboyant e HP – tem sido rica. Na primeira propriedade, situada na cidade de Perobal, a integração se dá em 420 hectares de Lavoura-Pecuária. Já na HP, de Umuarama, são 12 hectares de integração Pecuária-Floresta. “Lá se vão 15 anos quando começamos o sistema Lavoura-Pecuária na Flamboyant”, lembra Gerson. “E pensar que antes só tínhamos pecuária com pasto degradado”.

A produção de soja atinge 65 sacas/ha e são 800 cabeças de nelore e cruzamento com angus. A Floresta conta com 3 mil árvores de eucalipto. “Fazemos a alternância com lavoura de soja no verão e brachiaria no inverno. Há três anos começamos rotação com algodão na safra de verão em 50 hectares”. Gerson Bortoli conta que enfrentar as dificuldades iniciais – falta de mão de obra qualificada e montagem de estrutura para agricultura – são amplamente compensadas. Atualmente, o proprietário da Flamboyant e HP conta com uma frota John Deere para o trabalho, como tratores modelos 6300 e 6145, colheitadeira S550, pulverizador 4630 e plantadeira sistema a vácuo 11 linhas. “Após a integração, a produtividade da fazenda praticamente dobrou a receita”.

 José Leandro Peres, da Fazenda Pontal
José Leandro Peres, da Fazenda Pontal:
“Com a inserção da ILP, fomos aprendendo a trabalhar e desenvolver técnicas até criar nosso sistema. Esse foi o ‘pulo do gato’”.

Quem também apostou no sistema Lavoura-Pecuária foi José Leandro Olivi Peres, da JP Agropecuária, na Fazenda Pontal, em Nova Guarita, Mato Grosso. Na área produtiva aberta de 3.960 hectares, são 2.760 de pastagens e 1.200 de plantio de soja. “Fazemos ILP em área de soja pós-colheita, onde plantamos brachiaria brizantha em 1.200 hectares, sendo 1.100 para pastoreio e 100 para fazer silagem para animais confinados”. A produção de soja na safra 2018/2019 bateu 66 sacas/ha bruto. Já nos pastos, a Fazenda Pontal contabiliza 7.936 cabeças e, a exemplo do colega do Paraná, tem nelores matrizes e realiza Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) com angus. “Sobre a tecnologia, vínhamos trabalhando com o sistema Sante Fé – brachiaria com milho. Isso foi em meados de 2004 a 2008. Após essas datas, começamos a sofrer com muita perda de produção por ataques de porcos do mato, onde decidimos adotar o plantio da forrageira”, conta José Peres.

A Pontal vinha de uma pecuária tradicional, mas já com alguma tecnologia de reprodução e manejo. “Sobrava mais tempo”, brinca Peres. Cliente John Deere desde 1997, com frota composta por tratores, plantadeiras, pulverizador e colhedoras, ele explica que a alternância de uso das áreas se dá avançando de 15% a 20% do plantio de soja em áreas de pasto degradado, retornando três anos depois a mesma proporção nas áreas de soja em pastos perenes. “Com a inserção da ILP, fomos aprendendo a trabalhar e desenvolver técnicas até criar nosso sistema. Esse foi o ‘pulo do gato’”. O grande resultado da implantação do sistema ILP foi mudar o calendário da estação de monta, que passou a ser entre junho e setembro (período seco), ao invés de novembro a fevereiro (período chuvoso). “Com a EMI (Estação de Monta Invertida), pela qualidade que o resíduo de soja oferece às forrageiras, nossos bezerros nascem entre abril e julho e têm garantido alimento no período seco”.

Vantagens da integração
• Otimização e intensificação da ciclagem de nutrientes no solo
• Melhoria da qualidade e conservação das características produtivas do solo
• Manutenção da biodiversidade e sustentabilidade da agricultura / pecuária
• Melhoria do bem-estar animal devido ao conforto térmico e ao melhor ambiente oferecido aos rebanhos
• Diversificação da produção vegetal e animal
• Aumento da produção e venda de grãos, fibras, carne, leite e produtos de madeira
• Maior efetividade no uso e preservação dos recursos naturais
• Redução da pressão para abrir novas áreas contendo vegetais nativos, graças aos ganhos de produtividade
• Redução da sazonalidade no trabalho manual
• Criação de mais empregos diretos e indiretos
• Versatilidade do sistema por ser adaptável a diferentes realidades produtivas
Fonte: Tons de Verde – A Sustentabilidade da Agricultura no Brasil/Embrapa

Comentar