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Poucas pessoas saberiam responder neste exato instante o que é a melaleuca. Menos ainda imaginar como essa árvore (sim, é uma árvore) atravessou oceanos até aportar no Brasil. A gerente de Entrega de Treinamento da John Deere, Lucy Pereira, estava na mesma situação há poucos anos. Virou o jogo ao fazer muitas pesquisas, conhecer pessoas e entrar em um novo universo como pequena agricultora.

Quem conhece as inúmeras qualidades da melaleuca alternifólia, seu nome científico, não esquece mais. Foi exatamente assim com o capitão James Cook, inglês que aportou em 1770 na Austrália e observou como os aborígenes utilizavam suas folhas para fazer chás medicinais. Ele ficou tão impressionado com aquela movimentação que mandou seu botânico estudar melhor a planta. A ciência já comprovou que a melaleuca tem propriedades bactericidas e fungicidas, sendo ainda utilizada como anti-inflamatório, antiviral, antisséptico e cicatrizante. Não é pouco! James Cook a batizou como Tea Tree, árvore do chá.

Árvore da melaleuca
Por ser um biofungicida, a árvore da melaleuca não apresenta pragas nem doenças

Encantada com tantos atributos, a engenheira agrônoma Lucy Pereira resolveu plantar a melaleuca no sítio da família no Alto da Serra de São Pedro (SP). Mesmo trabalhando o dia todo no Centro de Treinamento da John Deere, onde lidera uma equipe de instrutores com foco principalmente na rede de concessionários, ela sentia necessidade de atuar no campo. Mas como fazer isso sem que uma atividade atrapalhasse a outra?

O primeiro passo foi buscar informação. Ela não queria continuar com plantação de cana, como era o caso da usina que tinha arrendado a terra da família por 10 anos, e nem café, como um dia fez seu pai. Muitas pesquisas depois, Lucy chegou aos óleos essenciais extraídos da melaleuca e seus benefícios múltiplos. Fez curso online de produção do óleo, estudou aromaterapia, conheceu profissionais da área e se apaixonou pelo assunto. Em julho deste ano, ela aproveitou as férias na John Deere para acompanhar grupo de 20 pessoas em curso de aromaterapia, plantas medicinais e óleos essenciais na França. Teve a oportunidade de conhecer produtores, visitar campos e destilarias na região de Provence.

Lucy Pereira em frente à plantação de melaleucas
Lucy estudou muito antes de escolher o que plantar no sítio da família

Dos 30 hectares do Sítio Primavera, a plantação de melaleuca ocupa 10 hectares. No total há hoje 100 mil pés. “Como só vou lá a cada quinze dias, precisava plantar algo que não demandasse muita atenção. No caso da melaleuca, que não dá praga nem doença, o principal cuidado é em relação ao controle das plantas invasoras, o que é feito com uma roçadeira”, explica.

Sua produção do óleo essencial ainda é pequena, comercializada com o nome Oficina do Campo. Lucy assegura que há potencial para alcançar 700 litros por ano em curto espaço de tempo. O corte da árvore, normalmente, é feito uma vez por ano. O primeiro ocorreu em janeiro de 2018. A nova colheita acontece no segundo semestre de 2019, quando as plantas atingiram entre 3m e 4m de altura.

Direto com quem entende do assunto

Como uma pesquisa puxa outra, Lucy Pereira chegou até Rommel Sauerbronn da Cunha, engenheiro agrônomo há 35 anos, justamente a pessoa responsável por trazer a planta ao Brasil em 2002. Proprietário do Sítio das Melaleucas, em Ibiúna (SP), ele se orgulha em dizer que a árvore já se encontra no solo de 10 Estados brasileiros. Seu encantamento com a melaleuca começou após a segunda viagem a Israel, em 1999, para onde foi disposto a aprender técnicas de agricultura moderna. Atualmente, seu sítio conta com 10 mil árvores de melaleuca e uma relevante coleção de plantas raras aromáticas e medicinais.

Embalagem do óleo essencial Oficina do Campo
Produção do óleo essencial Oficina do Campo deve ampliar significativamente em curto prazo
Rommel Sauerbronn da Cunha em selfie na frente de carro repleto de melaleucas na carroceria
Rommel foi o responsável por trazer a melaleuca ao Brasil em 2002

Segundo ele, 99% dos óleos de melaleuca são importados, o que representa mercado interno gigante a ser abastecido. “Muitas pessoas querem usar o óleo, mas poucas querem plantar. Há poucas Lucy por aí. Ela acreditou na força da melaleuca, é super competente e corretíssima”, elogia. Além de promover oficinas mensais sobre o tema no Sítio das Melaleucas, Rommel também desenvolveu micro destiladores para quem estiver disposto a comercializar óleo essencial e hidrolato, solução de princípio ativo obtida da mistura da água com a planta. O produto comercializado por ele leva o selo Doctor Cunha, em homenagem ao pai Sebastião Gonçalves da Cunha.

No momento, Rommel tem dois sonhos. Um deles é adquirir maquinários John Deere, marca que admira e da qual se diz fã “desde criancinha”. O outro é ver a aromaterapia sendo oferecida aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). “Estamos caminhando nesse sentido junto com os aromaterapeutas para que a população tenha acesso aos óleos essenciais de graça”, acrescenta. A aromaterapia faz parte das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), assim como acupuntura, homeopatia, florais, ioga, entre outras. Sua implementação no SUS depende de treinamento dos profissionais e do interesse de cada Prefeitura.

Micro destilador para extração do óleo essencial da melaleuca
Micro destilador criado por Rommel, voltado aos pequenos produtores

Informação aos pequenos produtores

A aromaterapeuta Carla Scarpeli Véscovi, professora de Lucy Pereira na Aromaluz Centro de Formação Holística, em Campinas (SP), também revela um sonho. Ela quer muito que os pequenos agricultores passem a enxergar a aromaterapia como um importante mercado a ser explorado comercialmente. “O Brasil tem enorme biodiversidade, é preciso destilar plantas que nascem e crescem aqui para atender o mercado. A extração dos óleos essenciais representa grande oportunidade aos pequenos produtores. É um ramo novo e com forte potencial”, afirma.

Certa vez, ela lembra, um grupo de pequenos agricultores estava prestes a queimar plantação de alecrim e capim limão após um fabricante de xampu desistir da encomenda. Não se sabe como, mas a informação chegou até um profissional da Argentina, que se movimentou para ajudar os agricultores brasileiros e conseguiu reverter a situação. “Eles montaram uma cooperativa, destilaram as plantas e venderam o óleo essencial, algo que nem sabiam que poderiam fazer”, comenta.

Ao que tudo indica, portanto, Lucy Pereira está no caminho certo. Uma pequena produtora, bem informada e preparada para desbravar novos horizontes.

Carla Scarpeli Vérscovi, aromaterapeuta e professora na Aromaluz Centro de Formação Holística
Carla Scarpeli Véscovi: extração de óleos essenciais é um novo ramo e com forte potencial
Lucy Pereira olha a plantação de melaleuca em seu sítio
A pequena produtora Lucy está preparada para crescer e abrir novos horizontes
Corte manual da melaleuca em projeto de Rommel na Bahia

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