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“O que você acha de fugir do frio do sul?”

Moira Pinto, ao marido Silvério

Foi assim, como quem não quer nada, que Moira Pinto sugeriu a um gaúcho ‘muito gaúcho’ para deixar sua cidade e mudar para um lugar bem distante dos amigos e da família. O marido Silvério não gostava do frio, era verdade, mas a mudança exigia uma boa dose de ousadia. Já para ela, fazer as malas e partir para o novo não seria uma novidade tão grande. Anos antes tinha trocado o Peru pelo Rio Grande do Sul. A adaptação foi tão grande que se autodenomina ‘perucha’ – um misto de peruana e gaúcha. Sem dúvida, uma história que vale a pena ser contada como inspiração a todas as mulheres.

Primeiro passo: deixar a terra natal

Moira nasceu e cresceu no Peru. Viveu lá até o fim do ensino médio. Só que os anos 1990 não foram muito fáceis naquela região: um conflito armado entre grupos revolucionários e o governo, com frequentes ataques terroristas na capital do país, amedrontava a população. E a jovem Moira queria perspectivas mais seguras para seu futuro.

Moira Pinto em frente ao prédio da John Deere
Moira Pinto usa a adversidade como estímulo ao crescimento pessoal e profissional

A moça descobriu, então, uma parceria entre o Peru e o Brasil para a realização de intercâmbio entre estudantes universitários. No programa, porém, não era possível escolher para que parte do Brasil ela iria. Feita a inscrição, as vagas em universidades federais eram sorteadas.

Moira fez a inscrição e passou por todos os trâmites. Até que recebeu a notícia de que havia sido aprovada: acabava de ganhar uma vaga para estudar comunicação social na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Namoro logo vira casamento

Foi na casa de estudantes, em Porto Alegre, que ela o conheceu. Ele cursava engenharia mecânica. Foram se aproximando, iniciaram logo um namoro e não demorou para virar casamento.

Silvério se formou e começou a fazer mestrado na própria federal. Era bolsista da CNPQ e, na época, participou de um projeto de ergonomia na John Deere de Horizontina. Foi assim que, em 2014, foi chamado para uma posição de engenheiro na área de manufatura.

Cena do casamento de Moira Pinto e Silvério
Namoro entre Moira e Silvério logo virou casamento. Dali em diante, muitas mudanças aconteceram na vida do casal

Ele logo fez amizades na empresa e conheceu Carmem Frank, do RH. Ela soube que a esposa de Silvério estava procurando emprego e a indicou para um conhecido que tinha uma escola de idiomas na cidade. Moira, que tinha o espanhol como língua materna, viu ali uma grande oportunidade. Ela acabou se surpreendendo quando descobriu que a vaga disponível não era para professora de espanhol, mas sim de inglês. Não tinha problema: ela era fluente mesmo assim. Fez os testes, passou e lá estava trabalhando.

Primeiro a faculdade, depois o casamento e agora o trabalho: Moira estava cada vez mais instalada no sul do Brasil. E já se sentia em casa naquela condição de “perucha” – meio peruana, meio gaúcha.

A chegada de Rafael e Fernando

A mesma Carmem pediu para avisar: havia uma vaga temporária na área de Remuneração da John Deere, para apoiar a instalação de um novo sistema, o GJE (Global Job Evaluation). A unidade precisava de alguém para fazer traduções das descrições de cargo.

Moira topou a empreitada. Seis meses depois, conseguiu uma vaga fixa, na área de Consultoria Interna – e sua origem peruana foi muito importante, visto que a nova posição a colocaria em contato com equipes de toda a Região 3.

Vivendo em Horizontina, teve seus dois filhos, Rafael e Fernando. Agora com uma família completa, Moira estava quase definitivamente instalada na cidade. Quase: porque grandes mudanças lhe aguardavam logo ali.

Rafael e Fernando nasceram no Brasil, mas mantêm contato com a cultura peruana

Todos juntos em Montenegro

Em 2010, surgiu uma oportunidade para ela trabalhar em Montenegro. Durante o processo seletivo, o RH foi bastante compreensivo: a equipe sabia que ela era casada com outro funcionário, e uma eventual transferência deveria incluí-lo também.

Moira passou no processo. Silvério também conseguiu uma oportunidade em Montenegro, mas não no mesmo momento: ainda passariam dois meses até que ele pudesse se juntar à esposa no novo endereço.

Moira Pinto e Silvério, com os filhos Rafael e Fernando, em cima de trator John Deere.
Os pequenos Rafael e Fernando se divertem em um trator John Deere com os pais Moira e Silvério. Como os dois trabalhavam na John Deere, eles precisariam ser transferidos juntos para outra unidade

Foi um grande desafio. O pequeno Fernando ainda era um bebê em fase de amamentação. Moira se viu morando em hotéis, viajando para Horizontina a cada fim de semana para estar junto com a família. Mas essa trabalheira toda durou pouco. Em dois meses, o restante da família foi de mala e cuia, e Moira ia descobrindo uma nova maneira de ser gaúcha, agora em Montenegro.

São Paulo, aí vamos nós…

Chegamos, então, ao momento do diálogo que inicia este texto. A mudança de Horizontina para Montenegro já havia sido desafiadora, mas ainda era o mesmo Estado, e a família de Silvério estava por perto. Naquele fim de 2014, porém, o salto era maior. A oportunidade que Moira visava era no Escritório Regional, em Indaiatuba. Não era exatamente uma promoção; seria uma movimentação lateral, porém, ela queria aquele desafio.

Mas como pedir pra um gaúcho tão gaúcho deixar sua terra? Moira lembrou que havia algo entre as maravilhas do Rio Grande do Sul de que Silvério não gostava muito: do frio. “O que você acha de fugir do frio do sul?”, perguntou Moira, toda cautelosa. “Por quê?”, perguntou ele, desconfiado. “Porque surgiu uma vaga em São Paulo.” Ele hesitou, então disse: “Tu já pensaste nos guris?” Mas, sim, ela já tinha pensado e bastante. Pensou no futuro deles e nas infinitas possibilidades que a região oferece.

Havia pontos contra também. A vida em São Paulo é muito mais cara e a família de Silvério ficaria mais longe. “Todos nós saímos da zona de conforto”, lembra Moira. Mas tomaram a decisão juntos e, novamente, conseguiram a transferência ao mesmo tempo. Em suas mudanças, Moira seguiu um caminho bastante atípico: na maioria das empresas, o mais comum é a mulher acompanhar o marido promovido. Mas nem Moira é qualquer pessoa, nem a John Deere é qualquer empresa.

Todos se adaptaram muito bem em Indaiatuba, cidade onde moram há cinco anos. Moira se tornou protagonista de sua carreira e Silvério a estimula e acompanha

Ela se tornou protagonista de sua carreira e da sua família. Hoje, é especialista na área de Desenvolvimento de Talentos Regional.

Já são cinco anos desde que ela saiu do Rio Grande do Sul, porém, ainda não deixou de ser meio gaúcha. Afinal, foram 20 anos de muito orgulho da terra onde chegou por acaso, mas que ela aprendeu a chamar de sua. E com tantas mudanças, sabe-se lá o que o destino reserva para ela nesse mundo tão grande.

O Peru não foi esquecido. Os pais de Moira a visitam todo ano e ela, eventualmente, viaja ao país. “Eles adoram o Brasil e têm muito orgulho de ver o que eu estou conquistando, a família que construí aqui. Apesar das dificuldades, eles sabem que aqui temos mais qualidade de vida”, conta.

Sempre que pode, a “perucha” Moira mata saudades de sua terra natal, o Peru, ao lado da família. Seus pais têm orgulho da carreira que a filha construiu com garra no Brasil e a visitam todos os anos

De volta ao balé

Um lado importante da vida de Moira acabou ficando de lado quando ela deixou o Peru: o balé. Ela estudou a dança dos sete aos 17 anos, acumulou experiência e grandes lembranças. Até abriu uma escola de dança junto com uma amiga logo que chegou a Horizontina, mas se viu tendo que se dedicar a outras tarefas.

Nos últimos meses, porém, ela começou a ser dominada por um desejo de se dedicar a uma jornada de autoconhecimento, empoderamento feminino e protagonismo de carreira. “Eu trabalho com desenvolvimento, então resolvi colocar isso na prática, para mim”, conta. Moira voltou a dançar, e mais de 20 anos pareceram ser minutos. Sua técnica, seu movimento, sua essência, estava tudo lá. Sua professora a convidou para dar aula e ela embarcou em mais um desafio. Seu projeto agora é usar o balé para desenvolver mulheres.

“O balé traz a leveza na frente da força. É incrível ver aquele movimento tão delicado, suave. Só quem está com a sapatilha na ponta do pé sabe o esforço e a dedicação. Acho isso tudo muito simbólico – e a vida é assim para mim.”

Moira Pinto

Para ela, o balé proporciona limpeza mental, além de trabalhar técnica, disciplina e flexibilidade. Também é uma forma de ter consciência corporal e aceitação dos limites. “Nós, mulheres, precisamos ter sororidade, oferecer uma palavra de estímulo, uma atitude de conforto, de acolhimento. E eu tenho praticado isso justamente porque tenho sentido de outras mulheres. Eu sinto essa necessidade de retribuir o que recebo”, define. “Algumas coisas a gente não aprende quando é criança. Em uma sociedade conservadora, onde o papel da mulher era só cuidar da família, do marido e dos filhos, hoje existem outras possibilidades. Preciso cuidar de mim, para ter condições de cuidar dos outros. E, sim, as coisas estão mudando e eu faço parte dessa mudança.

A história de vida de Moira Pinto foi escolhida para celebrar o Dia Internacional das Mulheres por meio do reconhecimento a todas as colegas da John Deere que estão engajadas em transformar adversidades em crescimento.

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• Pioneirismo de algumas mulheres da John Deere (parte 1)
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