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Passear desde criança pela fazenda da família é uma coisa. Administrá-la, da noite para o dia, é outra bastante diferente. Pois foi justamente isso que aconteceu com Maria Antonieta Guazzelli, carinhosamente chamada de Tieta pelos amigos e parentes. Era 2002 quando seu pai faleceu e ela, profissional da Tecnologia da Informação com carreira bem-sucedida no setor financeiro em São Paulo, se viu diante de um novo mundo a ser desbravado em Boa Esperança, no Sul de Minas Gerais. Se deu certo? Para saber a resposta, acompanhe a história a seguir e descubra o que aconteceu na Fazenda Palmito, pertencente à Agropecuária Rex, nos últimos anos.

Leitores mais maduros devem se lembrar dos laticínios da marca Rex, presença garantida nas mesas de muitas famílias brasileiras por 50 anos. A empresa foi fundada em Poços de Caldas (MG), pelo avô de Antonieta, Angelo Rinaldo Guazzelli. Seu pai, Reynaldo, assumiu o comando na década de 1940. A empresa fez história ao lançar, por exemplo, o primeiro queijo pasteurizado cremoso com sabores e também o requeijão em copo.

Nos anos 1960, Reynaldo comprou fazenda em Poços de Caldas (MG) e, nesse momento, começou sua grande paixão pelo campo. A Fazenda Palmito, em Boa Esperança, foi adquirida nos idos de 1970. Era uma região de cerrado, sem nada além da bela paisagem. “Meu pai foi pioneiro. Outras pessoas o seguiram e o local se transformou a partir daí”, lembra.

Por 50 anos, produtos da linha de laticínios da Rex estiveram presentes nas mesas de muitas famílias brasileiras

Antonieta, por sua vez, tinha deixado Poços de Caldas para estudar em São Paulo. E morou por 38 anos na capital paulista. Seus irmãos também seguiram carreira longe das empresas da família. No processo de partilha, após 2002, ela e o irmão caçula, que morava fora do Brasil, herdaram a Fazenda Palmito. Otávio voltou ao País algum tempo depois e passou a atuar na fazenda como conselheiro. Ele participa das decisões mais importantes e compartilha sua visão estratégica, mas permanece no mercado financeiro em São Paulo.

Antonieta, aos 12 anos, visitando a fazenda adquirida pelo pai em Boa Esperança

E agora, se perguntava Antonieta? O jeito foi se cercar de profissionais muito experientes para trocar informações, conhecimentos e pedir ajuda. Agrônomos, veterinários, funcionários da fazenda, todos eram fonte riquíssima de conhecimento. Embora tenha assumido tamanha responsabilidade, Antonieta continuou seu trabalho no banco em São Paulo. Assim, com noites e finais de semana comprometidos nessa jornada dupla, ela seguiu até o final de 2013. A chave só virou de vez no ano seguinte.

Sustentabilidade de dentro para fora

Do pai, Antonieta herdou muito mais do que os bens materiais. Carrega dentro dela os ensinamentos mais profundos sobre não desperdício, importância de preservação da mata, otimização dos processos, cuidados com o próximo e o futuro do planeta. “Precisamos olhar a questão da sustentabilidade do ponto de vista econômico, social e ambiental definindo, assim, uma governança eficiente e madura dentro da porteira”, defende.

Atualmente, a fazenda de mil hectares conta com a colaboração de 68 funcionários, com algumas famílias ali residentes. O rebanho da raça holandesa totaliza 1,7 mil cabeças, produzindo 27 mil litros de leite por dia. Só para efeito de comparação, em 2002 o volume era de apenas 2,3 mil litros de leite diariamente. Na Fazenda Palmito há ainda plantação de café, soja e cereais.

Maria Antonieta Guazzelli em frente ao carrossel para ordenha das vacas
Com gestão de Antonieta, produção de leite saltou de 2,3 mil litros por dia em 2002 para 27 mil atualmente

“O desafio do nosso setor é muito grande, pois vendemos commodities. Não definimos preço e ainda dependemos da questão climática. É uma operação de altíssimo risco, por isso precisamos estar muito atentos à sustentabilidade econômica”

Antonieta Guazzelli

Contar com forte suporte tecnológico é, no seu entender, fundamental nesse processo. Um bom exemplo é o investimento realizado em equipamento voltado à ordenha mecânica. Como em um carrossel, as vacas ficam em cima de um sistema rotatório para a ordenha e alimentação. O monitoramento dos animais acontece 24 horas por dia, o que possibilita detectar seus movimentos e, por meio deles, saber se as vacas estão no cio ou, até mesmo, doentes. A distribuição da dieta se dá por meio da integração com a balança eletrônica, tudo controlado em tempo real.

As vacas ficam em um carrossel rotatório para ordenha e alimentação

Já o leite, ordenhado a 36 graus, entra automaticamente em um sistema de resfriamento instantâneo, passando a 4 graus na carreta, sem necessidade de utilização de tanques de armazenamento.

No total, cinco tratores John Deere se revezam em diversas atividades na Fazenda Palmito, atraindo atenção do pequeno Felipe, neto de Antonieta, com dois anos e meio de idade. “Ele acorda e já pede para ver o trator verde”, conta a avó, que se prepara para adquirir uma colheitadeira John Deere em breve. Ela também se encanta com a agricultura de precisão e a tecnologia encontrada nos equipamentos da empresa. “Com o uso do sinal pago da John Deere, no plantio a tolerância de erro é de apenas dois centímetros em áreas enormes. A área é melhor aproveitada e o operador fica de braços cruzados, só fazendo a manobra no final da linha”, destaca.

Nem bem acorda e o pequeno Felipe, neto de Antonieta, já pede para ver o ‘trator verde’

Cliente da concessionária Minas Verde, localizada em Boa Esperança, Antonieta é admirada por sua garra e ousadia pelo diretor executivo Custódio Freire. Ele a conheceu em 2012, quando a Minas Verde organizou viagem aos Estados Unidos e levou grupo de 25 produtores da região. Juntos, eles visitaram grandes propriedades focadas na produção de leite e participaram de feira do setor. Após a viagem, que durou uma semana, o grupo se encontrou também no Brasil, inclusive na Fazenda Palmito.

“Antonieta tem extrema habilidade em lidar com as pessoas. É muito estratégica. Dá autonomia aos gestores, mas acompanha todo o trabalho de perto. A Agropecuária Rex é referência no Sul de Minas, todos reconhecem o profissionalismo da gestão e a forte preocupação no investimento em tecnologia”

Custódio Freire

Fora isso, Custódio destaca a beleza da Fazenda Palmito e seu entorno. “A fazenda fica próxima da serra, tem um visual cinematográfico. Tudo isso torna o lugar muito agradável, com energia positiva”, continua.

Em seu segundo casamento, Antonieta tem três filhos, mas nenhum até o momento manifestou o desejo de se envolver no agronegócio. Porém, como ela própria demorou a se decidir, nada impede que esse movimento também aconteça em algum momento com seus descendentes.

As crianças Maria Carolina, Luiz e Maria Beatriz na Fazenda Palmito
O filho Luiz com as irmãs Maria Carolina e Maria Beatriz quando crianças brincando na fazenda

À frente do Núcleo Feminino do Agronegócio

Desde o ano passado Antonieta acumula o cargo de presidente do Núcleo Feminino do Agronegócio. O grupo reúne 31 mulheres do setor. A dinâmica das reuniões mensais, antes presenciais, mudou este ano com o advento do Covid-19. O jeito, agora, é se adaptar aos novos tempos e promover encontros virtuais.

Integrantes do Núcleo Feminino do Agronegócio visita fazenda em Galileia, em Israel

Também foi preciso rever o planejamento previsto para o seu mandato (2019-2020), com mudança drástica dos temas prioritários. Em 2019, esse grupo de mulheres viajou a Israel para visitar fazendas e empresas da área de tecnologia. Já a celebração de 10 anos do Núcleo, prevista para outubro, provavelmente será adiada.

“Ano passado levantamos com as associadas quais seriam nossos focos de atuação. Foram apontadas questões relacionadas à gestão tributária, ambiental e de sustentabilidade, comunicação com nossos consumidores finais, além do nosso desenvolvimento pessoal. Alguns desses temas prevalecerão, mas outros estão dando lugar à questão do Covid-19”

Antonieta Guazzelli

A pandemia provocou várias mudanças também na gestão da Fazenda Palmito.  “Estamos cuidando de todos os elos da cadeia do agronegócio e, para que isso aconteça, temos de administrar a questão dos insumos, a comercialização de nossos produtos e, mais importante ainda, cuidar das nossas pessoas”, comenta.

Uma das ações mais imediatas foi trancar a porteira, interrompendo visitas. É só até ali, por exemplo, que chegam as compras de mercado, agora feitas por meio de aplicativo. Já o transporte dos funcionários que moram na cidade passou a ser feito em dois ônibus, ao invés de um, para evitar aproximação física entre as pessoas. Todos os equipamentos são meticulosamente higienizados e os processos cada vez mais aprimorados. E assim Antonieta, a Tieta dos amigos, segue em frente com otimismo e certa de que tudo vai passar!

Na ordenha mecânica, as vacas ficam em um sistema rotatório semelhante a um carrossel, onde também são alimentadas e controladas
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