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O maduro homem do campo olha para o céu e entende a linguagem das nuvens. Por meio delas se orienta e prevê os humores do tempo. Já seus filhos, que foram à faculdade e hoje voltam à terra para construir carreira, estão mais preocupados com outra nuvem, aquela em que armazenam todos os dados e recursos do seu computador, possibilitando o gerenciamento dos negócios em qualquer lugar e a qualquer hora na palma da mão. Nascidos na mesma época em que a internet começava a se popularizar, esses jovens agora se orgulham de atuar no agronegócio porque sabem que a tecnologia elevou o setor a um outro patamar.

Dos Millennials, geração nascida entre 1980 e 2000, muito se opina. Estudiosos do comportamento humano os classificam como ousados e curiosos, preocupados com o meio ambiente e atentos ao consumo consciente. Ou seja, eles representam um sopro de esperança para tornar o mundo cada dia melhor. No agronegócio não é diferente. O êxodo dos jovens do campo, algumas vezes até mesmo estimulado por famílias que almejavam vida menos sacrificada aos filhos, parece história do passado. Agora, muitos se orgulham em ajudar os pais a se atualizar tecnologicamente, assumir os negócios, empreender com lançamento de start-ups, produtos e serviços pelo mundo afora.

No concessionário Áster Máquinas, na cidade de Sapezal, no Mato Grosso, entre 45% e 55% da clientela da John Deere já é composta por sucessores das fazendas. “Muitos dos nossos clientes estão se aposentando ou assumindo o Conselho da empresa e colocando sucessores na linha de frente. Alguns deles estão arrendando a terra para os filhos, negociação que antes fariam com terceiros”, conta o gerente comercial Donizete Avelino da Rocha.

Um desses exemplos está ali mesmo em Sapezal, na Fazenda Três Coqueiros. Gustavo Schaedler chega aos 30 anos em outubro e, no mês seguinte, completa 8 anos trabalhando na empresa da família. Formado em Administração, cursou pós-graduação em Agronegócio na Fundação Getúlio Vargas, em Cuiabá. Atualmente, ele gerencia as áreas de Suprimentos e Algodoeira. Nas terras em Sapezal, Brasnorte e Gaúcha do Norte, totalizando 30 mil hectares entre safra e safrinha, a família planta soja, milho e algodão. Mais recentemente começaram a investir em gado. Gustavo é o único dos cinco filhos, por enquanto, a trabalhar com o pai Mauro Fernando, que trocou Santa Catarina pelo Mato Grosso aos 21 anos. Os outros irmãos ainda têm um percurso a trilhar. Isso porque o plano de sucessão familiar estabelece que os herdeiros devem trabalhar, pelo menos, dois anos em outra empresa antes de fincar os pés na Fazenda Três Coqueiros.

Para Gustavo Schaedler, profissionais sem preparo perderão espaço nas fazendas

Gustavo na Fazenda Três Coqueiros com os irmãos Thomas e Otto. O plano de sucessão está bem delineado…

… e determina que os filhos trabalhem dois anos no mercado, antes de assumir funções na gestão da operação familiar

“O começo não foi muito fácil, houve choques de ideias. Em uma empresa familiar é preciso apresentar resultados como em qualquer outra organização e ninguém vai nos dar nada de bandeja”, diz Gustavo, pai de Catarina, nascida durante a pandemia que abalou o mundo.

E se tecnologia é a paixão de Gustavo, no maquinário John Deere ele diz encontrar o apoio que precisa no seu dia a dia. Na Fazenda Três Coqueiros há desde trator de pequeno porte da marca até plantadeira e colheitadeira de algodão e de grãos.

“Quem não tiver preparo não fica mais na lavoura. Temos acompanhado essa evolução de perto e convivido com jovens muito bem preparados. Alguns pais ainda são reticentes à tecnologia, mas os filhos não.”

Máquinas John Deere operam na Fazenda Três Coqueiros e oferecem muita tecnologia à família Schaedler

Humildade para aprender

Mais ou menos na mesma época em que o pai de Gustavo chegou em Sapezal, em meados dos anos 1980, uma família de gaúchos se instalava a 110 quilômetros dali. Em Campo Novo de Parecis, a família Mattei hoje planta soja e milho, em 2.420 hectares de áreas cultiváveis. A produção na Fazenda Santa Fé, no cerrado mato-grossense, totaliza 150 mil sacas de soja (nove toneladas) e 230 mil sacas de milho (13,5 mil toneladas).

Tiago Mattei, de 26 anos, se tornou engenheiro agrônomo pela Universidade Federal do Mato Grosso. Selecionado no extinto programa Ciência Sem Fronteiras, ele cursou dois semestres de Agronomia na Universidade do Nebraska (EUA). Desde setembro de 2017 mantém o firme propósito de ajudar a família nos negócios. Sua irmã mais velha precisou fazer opção profissional quando a fazenda vivia momentos mais difíceis, o que a levou para a Medicina. Hoje ela mora e trabalha em Florianópolis.

Tiago Mattei em trator John Deere na Fazenda Santa Fé
Até o jovem Tiago Mattei fica impressionado com tanta tecnologia embarcada na agricultura

“Os jovens agora vivem um processo inverso, gostam de ir para a fazenda, têm orgulho. A tecnologia embarcada na agricultura é tão alta que chega a ser impressionante”

Tiago Mattei, 26 anos

O pai Gilmar Antonio Mattei tem dificuldade em lidar com a tecnologia, mas é um incentivador de inovações. Ele aceita experimentar coisas novas, testar e absorver conhecimento. “Não tenho metade do conhecimento dele em relação ao campo. Cheguei com humildade e ele me aceitou muito bem. Não podia chegar com soberba porque nem sempre a teoria acompanha a prática”, admite o jovem.

Tiago acredita que sua presença deu injeção de ânimo na fazenda, com consequente melhoria na infraestrutura do lugar. Ele gosta tanto dali que tem evitado voltar para casa ao final do expediente, a 38 quilômetros de distância. “Quando falo para as pessoas da cidade como lidamos com o solo, a plantação e o cultivo elas ficam impressionadas. Em programa de gestão não tem achismo, está tudo na palma da mão”, continua.

Tiago admite que sua presença na Fazenda Santa Fé deu novo ânimo ao lugar

João Paulo Lançone, gerente comercial da Áster Máquinas em Campo Novo de Parecis, destaca como essa geração se conecta pelas redes sociais e o volume de informações trocadas. “Eles conversam muito nos grupos e trocam experiências o tempo todo. São pessoas bastante dedicadas, comprometidas e empenhadas”, avalia.

Força jovem no Instagram

Os engenheiros agrônomos Saile e Cesar Farias são irmãos, vivem em Pirapozinho (SP) e têm quase 28 mil seguidores no perfil @JovensdoAgro, aberto no Instagram em 2017. Com sucesso tão grande, os amigos brincam que eles são a versão Sandy & Junior do campo. Empreendedores natos, os dois são sócios da Fertigan Fertilizantes, que atua na comercialização de fertilizante organomineral, da Sucrotech, escola especializada em cursos técnicos e profissionalizantes no setor sucroenergético, e da J.A. Marketing Digital, focada no trabalho de empresas do setor com influenciadores do Agro.

“No Instagram mostramos a realidade do campo, inclusive os perrengues do cotidiano”, conta Saile, nome que lido ao contrário é Elias, o mesmo do pai. Aos poucos, eles começaram a ser convidados para cobrir eventos do setor como influenciadores digitais, além de fazer palestras contando a trajetória empreendedora. “Nosso perfil une jovens que têm amor ao campo. Eles estão muito engajados e abertos às novas tecnologias, com orgulho dessas raízes”, continua. Orgulho ela tinha também na faculdade em Presidente Prudente (SP), quando circulava com um caderno capa dura com a marca John Deere. “Era o meu momento ostentação”, brinca. Dessa época, Cesinha (como é mais conhecido) também guarda até hoje um chaveiro da John Deere. “Assim como Omo ou Bombril, o trator verdinho é sinônimo de maquinário de qualidade”, diz. Só que agora os sonhos ficaram maiores e incluem futuramente a compra de uma área agrícola e a aquisição de uma colheitadeira John Deere. Sem pressa, mas com determinação, eles sabem que chegarão lá.

Os irmãos Saile e Cesinha se tornaram influenciadores digitais e já têm 28 mil seguidores no Instagram

Afinal, no começo da Fertigan, em 2014, a operação era tão caseira que Cesinha peneirava esterco de galinha em peneira de café e uma betoneira cumpria o papel de misturador. “Com mais um ajudante chegamos a fazer de 6 a 7 toneladas em um dia”, recorda.

Até que, certa vez, conseguiram comercializar uma grande quantidade – 120 toneladas – com boa margem de lucro. Era a hora, então, de investir em equipamentos e tudo começou a mudar. Ano passado surgiu um parceiro em Bastos, cidade conhecida como a capital do ovo. A capacidade de produção anual é de 5 mil toneladas de fertilizantes e esperam aumentar estes valores para o próximo ano. Longe de parecer o final de um conto de fadas, esse é o começo de uma longa história de jovens empreendedores.

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