Please enable JavaScript to view the comments powered by Disqus.
Fale com o John Deere Journal

    Gincana nascida na Fazenda Bom Jesus vira feira educacional e reúne mais de 2 mil crianças

    Os personagens dessa matéria adoram falar sobre máquinas e equipamentos, agricultura, vida no campo e tantos outros assuntos relacionados ao agronegócio. Mas, quando provocados a discorrer sobre projetos de educação voltados para a sociedade, nos quais estão, de alguma forma, envolvidos, o entusiasmo fica mais do que aparente. Afinal, é impagável a sensação de se sentir parte de uma engrenagem com foco no desenvolvimento humano. Faz toda a diferença ver pequenos gestos transformarem a trajetória da vida de muitas pessoas.

    Assim acontece, por exemplo, com o biólogo e professor Bruno Bastianini, funcionário do grupo Labareda Agropecuária, forte produtor de café com sete fazendas no Estado de São Paulo. Após dez anos dando duas horas semanais de aula sobre meio ambiente aos filhos dos colaboradores da Fazenda Bom Jesus, em Cristais Paulistas, ele agora se prepara para também ensinar inglês à turma.

    Mas a história por ali começou antes de sua chegada ao grupo, mais precisamente em 2006, quando os proprietários Flávia Lancha e Gabriel Afonso Mei Alves de Oliveira resolveram reverter a situação de baixa escolaridade da mão de obra local. Alguns empregados sequer sabiam assinar o nome, o que evidentemente impedia seu desenvolvimento profissional e pessoal.

    Crianças da Fazenda Bom Jesus têm aulas sobre meio ambiente e, em breve, de inglês também

    O primeiro passo foi firmar parceria com uma escola de Franca para desenvolver projeto em três frentes: alfabetização de adultos, aulas sobre questões ambientais às crianças e de artesanato às mulheres. Quando Bruno chegou à Labareda Agropecuária, em consequência da conquista da certificação mundial Rainforest Alliance em quatro de suas fazendas, coube a ele dar as aulas de conscientização socioambiental aos pequenos. Na sala com 45 carteiras há lousa, projetor e outros itens necessários para uma boa aula, mas, sempre que possível, o biólogo e sua turma vão ao campo e às ruas entender mais sobre a natureza, visitar museu da cidade, ir ao cinema ou circular em feiras promovidas por faculdades da região. A faixa etária dos alunos varia muito, tornando seu trabalho mais desafiador. Fora isso, ainda hoje ele desenvolve trabalho de letramento junto a dois adultos.

    “Um funcionário que, há alguns anos, não sabia ler nem escrever se tornou um dos principais motoristas da fazenda atualmente”

    Bruno Bastianini

    Com a pandemia, a rotina foi alterada e o professor ficou cerca de um mês sem encontrar as crianças. Nesse período, Bruno imprimia passatempos e jogos para deixar na casa de cada um. A presença física à escola da fazenda retornou, mas com rodízio entre os pequenos a fim de manter o distanciamento. “As mães ficaram aflitas com tanta matéria das escolas e me pediram ajuda para acompanhar a realização dessas tarefas. Como a sala é grande, às vezes ficam apenas três alunos, um bem longe do outro”, comenta.

    Retorno às atividades segue protocolos de distanciamento entre as crianças e ajuda na realização das tarefas escolares

    Gincana mexe com a comunidade

    Animada com o trabalho desenvolvido na fazenda Bom Jesus, Flávia Lancha resolveu em 2007 promover uma Gincana Intermunicipal do Meio Ambiente (GIMA), envolvendo 180 crianças carentes das cidades de Cristais Paulistas e Ribeirão Corrente.

    Em 2019, o evento foi transformado em feira educacional, mudou para um lugar maior e aumentou para quatro dias. Mais de duas mil crianças de seis municípios da Alta Mogiana participaram de atividades diversas, como oficinas de música, dança, teatro, palestras interativas, contação de histórias e muito mais.

    “A criança é o agente transformador da nossa sociedade. Nosso principal intuito é levar conscientização para as cidades, as escolas e as crianças. Mostrar que nós podemos ter um mundo melhor, um mundo onde essas ações sustentáveis vão fazer parte do dia a dia”

    Flávia Lancha

    Empresas contribuem de várias maneiras, inclusive com doação de brindes para sorteios aos alunos, como bicicletas, tablets, entre outros itens tentadores. A Colorado Máquinas, concessionária John Deere da região, é uma das apoiadoras da GIMA. Este ano, ao contrário do planejado inicialmente, a feira será virtual devido ao isolamento social.

    Kit escolar para quem precisa estudar

    Quando era jovem, Magno Alves de Rezende Filho conhecia e admirava o projeto desenvolvido pela Real Máquinas, concessionária John Deere localizada em Mineiros (GO). A empresa, desde 1995, distribui 3 mil kits escolares aos alunos carentes da cidade, no início de cada ano, e tamanha dedicação causava boa impressão nele. Não poderia imaginar, naquele momento, que um dia assumiria o cargo de promotor de Marketing da Real Máquinas e seria envolvido também no chamado Projeto Escola.

    Ao longo desses anos, já foram entregues 81 mil cadernos escolares tanto em Mineiros quanto em Alto Taquari (MT), para onde o programa se estendeu. As capas dos cadernos são variadas e mudam todos os anos, sempre com temas alusivos ao campo, mas a contracapa invariavelmente estampa o Hino Nacional.

    Além do caderno, o kit inclui itens alternados como canetas, réguas, borrachas, adesivos dos mascotinhos da empresa e bandeirinhas, entre outros. Nas escolas rurais são realizadas também ações voltadas ao meio ambiente, com entrega de sementes ou mudas de plantas feita pelos funcionários da Real Máquinas. Essa é mais uma maneira de engajar o time e mostrar a realidade de quem vive ao redor.

    Capas dos cadernos são customizadas desde 1995, quando teve início a distribuição de kits às crianças carentes da cidade

    Certa vez, durante evento em faculdade da região a respeito de projetos sociais, uma aluna pediu a palavra e disse o quanto essa ação havia sido importante em seus estudos. Como a família não tinha boas condições financeiras, receber o kit todos os anos representava um incentivo à menina.

    Após 27 edições ininterruptas, há ainda incertezas em relação à edição de 2021, em razão da volta às aulas presencialmente. A ideia é estender a ação para a cidade de Caiapônia (GO), onde a Real Máquinas também tem unidade.

    Prêmios às melhores notas

    Há um outro projeto na Real Máquinas que também faz brilhar os olhos de Leyna Fries, diretora Administrativa da concessionária. É o Aluno Nota 10, voltado aos filhos e aos funcionários em fase de estudos, inclusive na faculdade. A cada trimestre, eles enviam seus boletins para acompanhamento da empresa e, no final do ano, aqueles com os melhores resultados ganham presentes muito atraentes, como tablets, dinheiro e computador, entre outros.

    Filha do porteiro Valdemir Lourenço, funcionário da unidade em Mineiros, Eduarda foi uma das vencedoras da edição 2019 do Aluno Nota 10. “É muito importante que, sendo tão grande, a Real Máquinas também se preocupe com a educação e as notas dos alunos. Esse projeto é um incentivo para que os filhos de seus funcionários se empenhem na escola, procurem estudar, para que, ao final do ano, tenham seu esforço reconhecido”, diz.

    Estou há seis anos na Real Máquinas e sempre participamos da campanha Aluno Nota 10, meu filho e eu. No início, eu fazia faculdade e depois pós-graduação. Acredito que a campanha colabora positivamente no incentivo aos estudos. Muitos pais contam que os filhos ficam mais focados nos estudos para tirar as melhores notas. Todos querem ganhar. Afinal são prêmios tentadores: jogos educativos, tablets, miniaturas John Deere, premiações em dinheiro e muito mais. Em 2019, eu fui uma das ganhadoras e levei para casa R$1 mil em dinheiro. Foi uma surpresa muito boa. Acredito que o estudo é uma ferramenta que abre portas para o sucesso

    Lorena Nagata, assistente de RH

    Realidade pouco conhecida

    Quem mora fora do Pará não tem a dimensão exata de seu tamanho. As distâncias são enormes e causam problemas muito peculiares à região. Algumas vezes, nem mesmo quem nasceu ali se dá conta disso. Foi esse o sentimento que mexeu com Kamillo Ribeiro dos Reis, coordenador Corporativo de Marketing e Qualidade da Agrinorte, concessionária John Deere com seis lojas no estado.

    Durante visita à unidade de Santarém, o estoquista Deyvisson Feitosa comentou com ele sobre um projeto em criação em sua sala de aula, na Faculdade de Engenharia Elétrica da Universidade da Amazônia. A ideia era implantar turbina de energia eólica em uma comunidade ribeirinha em Pixuna do Tapará (região Oeste do Pará, a 2 horas de barco de Santarém). Dessa maneira, seria possível levar luz elétrica para a escola e possibilitar aulas noturnas para turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Mas faltava verba para seguir adiante.

    Com energia elétrica, jovens e adultos de comunidade ribeirinha do Pará agora podem ter aula noturna na escola

    Coincidentemente, questões relacionadas à autossuficiência energética já estavam no radar da Agrinorte, que havia instalado painéis de energia solar em suas lojas. Kamillo entrou em contato com o professor Márlison Sá para entender melhor e percebeu a possibilidade de ajudar aquela comunidade ribeirinha com baixo investimento. “A ideia era estender a energia elétrica também para o posto de saúde, mas com a pandemia não pudemos mais retornar ao local”, lamenta Kamillo, certo de que o projeto será retomado tão logo passe esse momento mais difícil de saúde pública.

    “É motivo de orgulho trabalhar em uma empresa que acredita no poder da educação para mudar a vida das pessoas. Como colaborador da Agrinorte, me sinto parte de um projeto grandioso que vai muito além de vender máquinas aos nossos clientes. Temos um propósito muito maior”

    Deyvisson Feitosa

    Ao voltar para Paragominas, distante 1,3 mil km de Santarém, Kamillo trouxe um ensinamento na bagagem: ouvir mais os colaboradores da rede e não apenas a alta liderança. “Esse projeto chamou a atenção da diretoria porque, com baixo investimento, poderemos mudar o futuro de algumas pessoas daquela comunidade. E a sugestão veio de um de nossos colaboradores”, afirma. Tudo indica que o projeto terá vida longa, com outras turmas da faculdade e outras comunidades. “A educação tem o poder de revolucionar nossa história”. Certamente, todos concordam com Kamillo.

    Instalação da turbina de energia eólica na comunidade ribeirinha Pixuna do Tapará

    Comentar
    Comentários