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Muito se fala sobre os jovens e sua ligação com temas ligados à tecnologia, inovação e sustentabilidade. E o que dizer de um jovem senhor de 72 anos que tem todos esses interesses na veia, pulsando sempre por novidades para implantar em suas quatro fazendas? Pois assim é José Mário Ataguile, que chegou em 1975 em Joviânia (GO) com os pais para plantar soja e dali nunca quis sair. Poucos minutos de conversa com ele são suficientes para entender o quanto se preocupa com o uso de novas tecnologias para preservar o meio ambiente, aumentar a produção e reduzir os custos. O filho Rodrigo, engenheiro agrônomo de 47 anos, segue firme ao seu lado. Assim como o neto Lucas, de 16 anos, que já está trilhando a mesma estrada.

A família Ataguile foi pioneira, há 15 anos, a praticar Agricultura de Precisão na região. Na sequência veio o investimento em sistema de irrigação subterrâneo e também em energia solar. Os resultados nas quatro fazendas, totalizando 1.530 hectares, não tardaram a aparecer. Na primeira safra deste ano, a colheita atingiu 107 sacas de soja por hectare. Na segunda, 200 sacas de milho por hectare. A terceira, que está por vir, sem dúvida seguirá essa boa trilha.

José Mário Ataguile foi pioneiro a praticar Agricultura de Precisão em Joviânia

Mas quem olha esses resultados atuais não pode se esquecer dos percalços enfrentados no passado. Um dos primeiros foi a falta de eletricidade na fazenda Jaborandi, nome dado pelos pais em homenagem à região onde moravam no interior de São Paulo. José Mário encarava essa situação como impeditivo para a evolução dos negócios, inclusive para a tão sonhada instalação dos pivôs de irrigação. Nos idos de 1980, ele encabeçou a criação de uma rede monofásica na região, mas nem todos aceitaram na época. “Alguns fazendeiros até permitiam que a fiação passasse por suas terras, mas não perto da sede ou do curral porque achavam que poderia prejudicar os animais”, lembra.

“Tenho mentalidade progressista, gosto de modernidade”

José Mário Ataguile

Além da irrigação realizada por meio de cinco pivôs atualmente, ele e Rodrigo implantaram em suas terras um sistema de irrigação subterrâneo proveniente de Israel. “Todo produtor rural deveria ter um. A mangueira fica 20 centímetros abaixo da terra, irrigando de baixo para cima. Dessa forma, a água não molha as folhas e protege as leguminosas de doenças. Fora isso, gasta pouca água e consome baixa energia”, explica. Vale ressaltar que água, para ele, é um bem bastante precioso, uma vez que em Goiás o sol é escaldante e os períodos sem chuva costumam ser longos.

Dessa forma, transformar o sol em aliado também foi uma eficiente estratégia para produzir energia de maneira sustentável. A instalação de 416 placas fotovoltaicas ocorreu no início de 2019, com parte do dinheiro financiado. “Faço tudo com muito cuidado e bem calculado. Daí não tem erro”, admite. A produção de energia gerada em duas usinas é suficiente para abastecer cinco pivôs, o projeto de gotejo de água subterrânea, três casas de funcionários, além das residências de José Mario e de Rodrigo. Ainda assim sobra energia.

Placas fotovoltaicas geram energia para abastecer vários projetos nas fazendas da família

“Com esse projeto preservamos os mananciais, mantivemos as árvores nativas plantadas e temos hoje fonte de energia renovável sem causar qualquer dano ao meio ambiente”, celebra o filho.

Melhor aproveitamento do solo

Depois de 30 anos realizando plantio direto, há 15 anos a prática de Agricultura de Precisão mudou a vida da família Ataguile. Com o plantio adensado, por exemplo, a distância da soja no campo reduziu de 50 para 25 centímetros, considerando o metro quadrado e não mais o linear. A capacidade de produção, portanto, simplesmente dobrou e hoje totaliza 400 mil plantas de soja por hectare. “Só consigo tudo isso porque conto com bom sinal de RTK nos tratores John Deere. Com tanta precisão há maior aproveitamento do solo e, assim, temos condições de plantar e colher mais. Sem essa tecnologia não conseguiria isso”, diz.

Cliente desde 2017 da Maqnelson Agrícola, concessionária John Deere, José Mário se prepara para adquirir novos equipamentos da marca. Ele conta com a ajuda dos modelos 7200J e 5085E, com base RTK e receptores Star Fire. Um deles é utilizado para trabalhos mais leves, como jogar adubo na terra, e outro voltado aos serviços pesados. Treinamento de funcionários, ele sabe bem, é fundamental para tirar o melhor proveito dos equipamentos, por isso reforça com seu time a necessidade de aperfeiçoamento constante.

Pai e filho acreditam que sem a tecnologia dos tratores John Deere seria muito difícil alcançar tão bons resultados

O que mais impressiona Fábio Rodrigues Silva, gerente de Vendas da empresa, é a disposição de José Mário em aprender, implantar e compartilhar conhecimento. “Ele é uma referência em relação à tecnologia na região, muito reconhecido por sua atuação e também por compartilhar experiências”, afirma.

As experiências, inclusive, envolvem a área de genética reprodutiva. Há pouco tempo foi firmada parceria com empresa argentina para testar melhoramento genético da cultura de soja. Segundo ele, há um pivô de irrigação próprio destinado a essa pesquisa dentro da fazenda e uma área totalmente reservada apenas para tal finalidade.

Siamo tutti oriundi

Como descendente de italianos, nascido numa casa com 10 filhos, José Mário valoriza muito a relação familiar. Quando o filho Rodrigo, nos anos 1990, decidiu estudar agronomia em Rio Verde foi grande a alegria: “Meu pai me deu a oportunidade de estudar o que eu quisesse, mas desde pequeno tive interesse pelo campo e queria trabalhar aqui”. Embora tenham temperamento diferente, eles são muito semelhantes em relação à busca por inovação e tecnologias para o campo.

“Tínhamos algumas metas e nossos sonhos se realizaram. O sistema de plantio direto foi uma das maiores mudanças sofridas pelo agro. Depois investimos em irrigação, energia solar, agricultura de precisão, tudo sempre com muita informação e segurança”

Rodrigo Ataguile

Seu filho Leonardo, caçula de 12 anos, ainda não demonstrou interesse por seguir os passos da família. Pretende fazer Medicina, embora seja muito cedo para tomar uma decisão tão séria. Enquanto isso, o primogênito Lucas já administra uma área irrigada e colheu sua própria produção de milho este ano.

No campo pessoal, a família se prepara para celebrar 50 anos de casamento de José Mário e Neusa em meados de 2021. Se tudo der certo, e a pandemia tiver sido refreada pelo mundo, a ideia do casal é visitar a Itália, onde começou a história dos Ataguile. Como dizem os italianos, auguri!!

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