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A relação entre William Salvador e a tecnologia começou cedo. O garoto que tinha paixão por computadores logo transformou uma afinidade em forma de fazer dinheiro e, aos 14 anos, já dava aulas de informática. Na transição entre a adolescência e o início da vida adulta, ele estava concluindo o ensino médio, mas já sabia que o futuro breve levaria essa ligação a um patamar mais elevado, com a decisão em cursar Ciências da Computação na faculdade. Anos mais tarde, essa escolha mostraria que valorizar o conhecimento e vivenciar o mundo tecnológico no dia a dia seria o início de um círculo contínuo de partilha, ensinamentos e aprendizados.

Durante os estudos acadêmicos, William tinha apoio e suporte da família que vivia em Itapetininga (SP), mas precisou desenvolver muito jogo de cintura para se virar morando em Piracicaba (SP). Nessa época, teve foco em buscar oportunidades profissionais e na construção das bases para conquistar os seus objetivos futuros.

Um dos passos mais importantes nesse caminho aconteceu quando conseguiu ingressar na John Deere em 2014, como analista de Negócios de TI.

O jovem William Salvador
O adolescente William da foto já sabia os caminhos que gostaria de seguir para construir seu futuro. A paixão por informática e tecnologia guiou suas escolhas profissionais

Naquele momento, se abriu um novo horizonte profissional, mas essa jornada reservava mais para William. Ele já nutria o desejo de fazer algo para ajudar o próximo, explorando seu know-how na área tecnológica. Em 2016, vontade, preparação e oportunidade se encontraram, por meio de um dos programas de voluntariado da Fundação John Deere.

O John Deere Inspire é uma iniciativa com objetivo de fomentar o conhecimento de disciplinas da área de exatas. Globalmente, seguem o modelo STEM, da sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Nesse sentido, os voluntários atuam em escolas públicas parceiras, próximas às unidades fabris da empresa, para apresentar aos alunos o universo científico e tecnológico, desmistificando as temáticas e proporcionando inspiração às próximas gerações de inovadores. Para isso, atuam na mentoria dos estudantes e mostram a conexão entre os ensinamentos da sala de aula com experiências práticas.

Início do John Deere Inspire no Escritório Regional da empresa abriu novos horizontes, tanto para William e seus colegas de voluntariado quanto para alunos da Escola Estadual Deolinda Maneiro Severo

Por si só, a ideia soa muito boa, mas fica ainda melhor quando o processo acontece de forma divertida, explorando a ludicidade. Aí é que entra em cena a FIRST ® Lego League. A competição que acontece mundialmente, em etapas, locais, regionais, nacionais e com uma grande final internacional, é organizada pela For Inspiration and Recognition of Science and Technology (FIRST) e pela empresa dinarmaquesa fabricante dos famosos bloquinhos de montar. Nas mãos de jovens entre 9 e 16 anos, as peças são utilizadas na construção de robôs. Não poderia haver melhor cenário para que William pudesse ser voluntário.

William Salvador, analista de Negócios de TI da John Deere com os alunos da equipe Magnéticos, durante etapa regional da FIRST Lego League
Com a mentoria de William, outros voluntários e professores, alunos atuam colaborativamente para desvendar os mistérios da ciência e tecnologia. O desafio é apresentar soluções por meio da robótica

As atividades do John Deere Inspire já se desenrolavam em Horizontina (RS) e a Fundação queria levar o projeto para o Escritório Regional. William ficou fascinado com a oportunidade e mergulhou de cabeça para compartilhar sua especialidade. Ele sabia que poderia fazer os jovens da Escola Estadual Deolinda Maneiro Severo sentirem o mesmo encantamento.

Porém, a missão não era tão fácil como poderia parecer para alguém com profundo conhecimento especializado e experiência profissional. Os estudantes apresentam noções diferentes de afinidade e, para complicar, sempre pairam neles dúvidas sobre o quanto aquele conhecimento será útil em suas vidas. “Eu não conhecia direito o projeto, não sabia qual era a melhor abordagem ou mesmo o que fazer quando os alunos questionam alguma coisa”, relembra. Pareciam nos olhar como quem diz ‘o que esses loucos estão querendo fazer?'”, explica.

William Salvador e alunos da Escola Estadual Deolinda Maneiro Severo durante etapa da FIRST Lego League
Quando o trabalho voluntário consegue fortalecer a educação dos jovens todas as sementes plantadas e os resultados conquistados devem ser celebrados

Entretanto, a sintonia foi surgindo e, assim como os blocos de Lego, tudo foi encontrando o seu encaixe. Isso aconteceu rapidamente e nem tinha como ser diferente. Afinal, havia um desafio adicional. “O projeto começou em junho, mas a competição já era em outubro”, destaca William.

Sem tempo a perder, os blocos foram ganhando forma, e a garotada conseguiu colocar seu projeto em pé. A equipe Magnéticos não venceu a etapa regional, mas conquistou reconhecimento como Time Revelação. Foi o único grupo de escola pública do Estado de São Paulo que conseguiu entregar um projeto com alguma consistência. O avanço do grupo em tão pouco tempo de atividade vai muito além do resultado da competição. A semente da ciência e tecnologia estava plantada naquele grupo de jovens por William e seus colegas que se dedicaram à mentoria.

“… Muitas vezes, você aprende na escola um monte de coisas que simplesmente não sabe como usar na prática. E a robótica dá uma noção de aplicação.”

William Salvador, sobre o objetivo principal do programa John Deere Inspire e da FIRST Lego League

Desde então, William continua atuando como mentor das equipes de alunos. Ele compartilhou muito conhecimento nessa trajetória, mas aprendeu bastante também. Ele aprimorou a didática, mas outros pontos ainda continuam desafiadores, como controlar o envolvimento. “Dá uma vontade de pôr a mão na massa com eles”, brinca. Porém, ele sabe que não pode, pois o papel é orientar os membros da equipe para que eles tenham suas ideias e encontrem soluções para temas que podem ir desde o espaço sideral ao uso racional de água. “Quando eu vejo que eles estão empacados, até chego e sugiro alguma coisa: ‘e se vocês tentassem isso ou aquilo?’ A gente joga uma isca.”

Alguns encaixes têm seu tempo preciso. Às vezes é preciso identificar quem está com algum problema e, consequentemente, parece menos atento. Existe hora para motivação e há momentos em que é importante exercer a autoridade.

William Salvador, analista de Negócios de TI
Em três anos atuando na orientação dos alunos, A didática do William melhorou. Além disso, ganhou jogo de cintura para saber a hora de motivar e de exercer a autoridade

Não à toa William criou alguns mandamentos sagrados. ‘Não desmontarás o robô’ é o mais importante deles. “Já aconteceu de algum aluno aparecer no laboratório fora do horário de aula, desmontar um robô para brincar e não conseguir montar de novo. Então, um robô de quatro rodas ficava com três ou outro que se movia com esteira parava de andar, essas coisas. A gente tinha que correr para montar tudo de novo a tempo”, se recorda com um sorriso no rosto.

Sempre focado, William faz questão de lembrar o objetivo principal, que está muito além da competição. “Eles estão ali querendo aprender e descobrir o que podem ser no futuro. Muitas vezes, você aprende na escola um monte de coisas que simplesmente não sabe como usar na prática. E a robótica dá uma noção de aplicação. O que faz um engenheiro? O que faz um programador?”

A partir desses questionamentos, ele tem um pensamento que pode ser muito útil para a galera que está agora nos bancos escolares. “Se eu soubesse que a matemática e o inglês eram tão importantes, teria aproveitado muito melhor as aulas. Eu gostaria muito de ter tido uma oportunidade dessas quando tinha a idade deles.”

William tem 35 anos e a experiência com as equipes das escolas não elimina o abismo cultural em relação aos adolescentes que orienta. Mas o voluntário não liga, pois sabe que cada dia traz muitos aprendizados. “Passei a ter muito mais paciência e ver que eles já têm uma visão muito própria de que mundo querem ter no futuro. É interessante ver isso”, conclui.

As lições com o voluntariado dele poderão ser ainda mais valiosas. Há pouco mais de um ano e meio, ele se tornou pai da pequena Sarah. Não há dúvida de que o círculo de ensinamentos e aprendizados continuarão se encaixando perfeitamente com a vida de William.

William Salvador, analista de Negócios de TI da John Deere, e sua filha Sarah
William gosta de compartilhar conhecimentos e, no voluntariado, aprendeu muito com os alunos também. A paternidade reforçou ainda mais esse ciclo constante, a partir da chegada da pequena Sarah

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