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    Estela Dias traz algumas dicas para o cuidado de dois gêneros de orquídea, a Phalaenopsis (espécie mais comum encontrada para venda no varejo) e a Cattleya. Ela aborda procedimentos em relação à acomodação nos vasos, irrigação e luz solar, bem como geração de novos brotos e cuidados com as raízes

    As orquídeas despertam fascinação em pessoas do mundo inteiro. Para muitos, o impacto deslumbrante da beleza de suas flores como elemento de ornamentação de ambientes contrasta com a aparente fragilidade. Porém, as orquídeas têm um poder que vai muito além do apelo visual. Ele pode gerar uma conexão singular entre o ser humano e a natureza, com leveza para proporcionar relaxamento e força para inspirar mudanças de comportamento. As histórias de Fabiana Franco e Estela Dias comprovam esse efeito singular da planta.

    A conexão com a natureza era um desejo de Fabiana, mas, certamente, não era seu ponto forte. Com estilo de vida agitado, ela tinha um peixe beta como animal de estimação. Curiosamente seu nome era Alfa e suas características iam ao encontro da rotina de sua tutora, pois os peixes beta não são afeitos ao contato intenso com outros seres e se adaptam bem a ambientes confinados. Nesse sentido, aparentemente, Alfa tinha arrumado a dona certa, pois Fabiana vivia viajando e o deixava alguns dias sozinho em seu apartamento.

    Claro que a saudade e a fome do pet estavam presentes em cada reencontro. “Quando eu voltava para casa, ele se balançava feito um alucinado, porque sabia que ia ganhar comida”, relembra. Tudo estava bem até que um dia a viagem se prolongou mais do que Alfa podia aguentar. “Cheguei em casa, ele estava lá boiando, tadinho.”

    As orquídeas despertaram em Fabiana um novo amor. Mais do que hobby, o
    cultivo de orquídeas e seus desafios inspiraram uma mudança de comportamento

    A situação foi traumática para Fabiana a ponto de despertá-la para uma reflexão sobre sua vida. “Eu pensei: cara, eu não consigo cuidar de um peixe!”, conta. Essa percepção dela já era uma constatação para sua família. “Eles diziam que até planta de plástico morria comigo”, lembra.

    Virada de chave

    Posteriormente, Fabiana se mudou para Indaiatuba (SP). Quando recebeu a visita de uma amiga, ganhou de presente um lindo vaso de orquídea. Ela aceitou, sorriu e agradeceu. Depois, a deixou em um bom lugar da casa e lhe dedicava alguns cuidados, mas sem tanta dedicação.

    Tudo parecia correr bem até Fabiana receber mais uma visita. Desta vez, era seu cunhado, Marco, um verdadeiro apaixonado por plantas. Subitamente, ela foi surpreendida por uma tremenda bronca. “Fabiana, você está matando essa orquídea”, falava o parente exaltado.

    Em meio à chamada de atenção, descobriu que sua orquídea era uma Phalaenopsis. E, após uma pequena aula sobre esse delicado hobby, resolveu aceitar o desafio e tomar uma atitude. Pesquisou vídeos e leu bastante. Então, comprou mais uma orquídea, depois outra e o amor pelas flores tinha passado de Marco para Fabiana.

    Fabiana Franco em seu orquidário, em Indaiatuba (SP)
    O orquidário de Fabiana é cuidado como um santuário e, lá, ela suaviza a rotina pesada do dia a dia

    Já Estela sempre foi apaixonada por plantas. Criada em sítio, resolveu estudar agronomia porque queria trabalhar com flores. Na faculdade, porém, acabou se direcionando à agricultura de larga escala. Contudo, as flores não saíram de sua cabeça. Um dia ela resolveu largar seu emprego em uma usina para empreender. Abriu uma flora e começou a trabalhar com paisagismo. O novo ofício a fez conhecer o Ceasa de Campinas (SP). Foi quando ela teve certeza de que havia encontrado seu caminho.

    O entreposto é realmente um verdadeiro paraíso para quem gosta de plantas. Entretanto, para aproveitar melhor o local precisa chegar cedo. “Cinco horas da manhã e eu lá vendo aquele monte de flor bonita. Fazia as compras do que tinha que vender na minha loja ou utilizar nos projetos de jardins e visitava os estandes de orquídeas. Cada vez que ia lá, comprava mais uma, sem saber o nome nem nada”, conta.

    Estela Dias mostra uma de suas orquídeas
    “O meu relaxamento de fim de tarde é molhar as orquídeas. Não penso em nada! Em tempos de pandemia, é o momento em que eu consigo me desligar de tudo”, ressalta Estela

    Mais do que um hobby

    Além de proporcionar conexão com a natureza, as orquídeas realmente tocaram as vidas de Fabiana e Estela de forma especial. No caso de Fabiana, a relação estabelecida com as plantas a levaram a alçar voos maiores. Já dominando a arte do cultivo com maestria, teve a ideia de criar um orquidário em seu quintal.

    Os orquidários particulares de Fabiana Franco (imagens à esquerda) e Estela Dias (imagem à direita) são cuidados com muito amor. Outro ponto em comum na criação dos espaços é o envolvimento do marido de ambas na montagem das estruturas. Assim, o carinho com o cultivo das plantas se torna uma atividade compartilhada em família

    Nesse momento, essa paixão passou a envolver também Murilo, seu marido e engenheiro agrícola. “Eu tenho a ideia e ele verifica se é viável, planeja, instala e faz os testes”, confessa Fabiana. O orquidário consiste em um pergolado de madeira com sombrite, sistema de irrigação por aspersão e temporizador, entre outras características. “Metódico, ele me ajuda até na definição da quantidade de água e o tempo que seriam mais adequados”, revela.

    O local se tornou um pequeno santuário. E Fabiana não mede esforços para incrementar as experiências. “Hoje, estou aprendendo a cuidar de orquídeas diferentes, que são mais difíceis de cultivar. Não há exagero nessa percepção dela, pois existem diversas variedades e cada uma tem necessidades específicas de água e de luz, mas ela se empenha para dar conta. “Eu vou mudando as plantas de posição, experimentando, pesquisando na internet e consultando meu cunhado. É na base da tentativa e erro”, destaca. Sem dúvida, o relacionamento com as orquídeas colocou vários aspectos da vida de Fabiana em nova perspectiva e a reflexão levou à ação, com significativa mudança em seu comportamento.

    Terapia antiestresse

    Apesar da casa de Estela ter belo quintal, um orquidário completo como o de Fabiana ainda está só nos planos. Por enquanto, Estela exerce sua paixão em um local menos equipado, mas cuidado com o mesmo amor. E há outro ponto comum entre as duas, além do encanto pelas flores. Estela também idealiza o espaço e deixa a execução a cargo de seu marido.

    “As orquídeas despertam fascínio. Elas são delicadas, exigem cuidados. E você acompanha seu desenvolvimento, desde a raiz até a flor. É um gosto ver a planta florescer, uma forma de alimentar a alma.”

    Estela Dias

    Ele colocou prateleiras em uma parede e adaptou um suporte de varal para fazer as vezes de sombrite, além de fazer outras instalações para as flores, que assumiram um papel fundamental na qualidade de vida dela.

    “O meu relaxamento de fim de tarde é molhar as orquídeas. Não penso em nada! Em tempos de pandemia, é o momento em que eu consigo me desligar de tudo. Além disso, a gente é energia, a água é energia, a terra é energia e me sinto super bem com esse ritual”, enfatiza.

    Estela vê no cultivo de flores significado bastante semelhante à produção de alimentos. “Para mim, é uma forma de alimentar a alma. As orquídeas despertam fascínio. Elas são delicadas, exigem cuidados. E você acompanha seu desenvolvimento, desde a raiz até a flor. É um gosto ver a planta florescer.”

    A diversidade de espécies está entre os principais atrativos das orquídeas, que nos brindam com uma infinidade de cores, formas e tamanhos

    E não para por aí. A defesa passional das orquídeas continua nas palavras de Fabiana, que se encanta também com a diversidade de espécies. “Existem orquídeas de todos os tamanhos, tipos, cores e exigências. Quando eu entro em um orquidário, é algo sensacional. Há flores minúsculas e, dali a dois passos, há uma grande Cattleya. São coloridas e tão cheirosas que você não tem vontade de sair de perto. Acompanhar o desenvolvimento delas desde o começo é algo mágico. Eu acabo de comprar uma Vanda pequenininha, que só vai florescer daqui a quatro anos. É também um teste de paciência”, brinca.

    Para Fabiana, as plantas também ajudam a suavizar a rotina pesada do dia a dia, até mesmo, com momentos de “diálogo”. “Eu converso com as minhas plantas. Falo com elas e elas me respondem. Elas são as minhas meninas.”

    As histórias de Fabiana e Estela provam que a conexão do ser humano com a terra pode ter as mais variadas formas e ser intensa, trazendo inúmeros benefícios, pois o amor, afinal, é algo que se cultiva.

    “Quando eu entro em um orquidário, é algo sensacional. Há flores minúsculas e, dali a dois passos, há uma grande Cattleya. São coloridas e tão cheirosas que você não tem vontade de sair de perto. Acompanhar o desenvolvimento delas desde o começo é algo mágico”

    Fabiana Franco
    Fabiana Franco também traz dicas para o cultivo das orquídeas. Ela aponta desafios devido à variedade de espécies, com demandas específicas. Ressalta ainda a importância de buscar informações sobre cada tipo de planta, bem como de ter paciência e persistência em uma atividade de aprendizado constante

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