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    O despertador toca – bom dia! João levanta da cama de madeira, coloca os pés no piso laminado e escova os dentes. Toma banho e sai para trabalhar. Abastece o carro e pega a notinha de papel. Apenas nas primeiras horas do dia de uma pessoa comum, como o João, a silvicultura, ou indústria das árvores cultivadas, já esteve presente na cama e no piso de madeira, no espessante usado na pasta de dentes, no papel, todos itens produzidos à base de celulose. Isso sem citar o combustível, que pode ser etanol celulósico, alternativa sustentável que já é possível de ser produzida, mas ainda não disseminada em larga escala.

    Se seguíssemos com João em sua rotina, a lista continuaria crescendo, com artigos comuns como papel higiênico, embalagens de papelão, fraldas descartáveis, tintas, colas, adesivos, carvão vegetal, móveis em geral e até na comida – iogurtes, sorvetes, salsichas e vários outros alimentos são produzidos com espessantes à base de celulose.

    A silvicultura é uma atividade agrícola forte no Brasil. As árvores cultivadas, que fornecem celulose, madeira e outros derivados tão presentes no cotidiano, ocupam 9 milhões de hectares de terras no território nacional. Toda esta matéria-prima é aplicada em indústrias diversas, que produzem mais de 5 mil produtos.

    Foi no século 19 que a atividade teve início de forma organizada por aqui e cresceu junto com as estradas de ferro que atravessam o país. Com o fortalecimento da cafeicultura, que impulsionava a economia brasileira à época, vieram as ferrovias que, por sua vez, necessitavam de mourões de madeira resistente para sustentar os trilhos de ferro e carvão para fazer funcionar os maquinários. Foi, então, que o engenheiro agrônomo Edmundo Navarro de Andrade recebeu da Companhia Paulista de Estradas de Ferro a missão de encontrar qualidades de árvores que atendessem bem a estes fins. A escolhida foi o Eucalipto, espécie natural da Austrália, com mais de 500 variedades.

    O clima dos trópicos propiciou o cenário ideal para o setor prosperar, com incidência de luz solar muito superior a outras regiões e muita água também.

    O segmento movimentou R$ 97,4 bilhões em 2019, segundo a Associação da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o que representa 1,2% do PIB, e exportou US$ 11,3 bilhões, equivalente a 4,3% das exportações no ano. O eucalipto é até hoje a principal espécie, com cerca de 70% de prevalência. Além dele, são amplamente utilizadas pinus, acácia, araucária, paricá e teca.

    Rodrigo Junqueira, gerente de vendas da divisão Florestal da John Deere, ressalta que o Brasil é o segundo maior produtor de celulose do mundo. “O primeiro lugar é da América do Norte – Estados Unidos e Canadá –, mas eles adquirem de suas florestas nativas e nós aqui produzimos 100% da celulose por meio de árvores cultivadas”, afirma, ressaltando o respeito ao meio ambiente.

    No Brasil, as árvores cultivadas totalizam 9 milhões de hectares, matéria-prima que se transforma em mais de 5 mil produtos
    Muita luz solar e abundância de água formaram a combinação perfeita para o Eucalipto se dar bem no Brasil

    “No clima tropical, o ciclo da floresta de Eucalipto é de sete anos. A mesma espécie nos EUA demora de 30 a 35 anos para atingir ponto de corte. Em muitas regiões do mundo, como a Escandinávia, chega a 60, 70 anos e isso faz com que o custo da celulose no Brasil seja muito competitivo”

    Rodrigo Junqueira

    Sequestro de Carbono

    Do plantio à extração, as árvores cultivadas passam anos prestando serviços ambientais, mantendo nutrientes no solo, ajudando no ciclo das chuvas e fazendo sequestro de CO2. No Brasil, os 9 milhões de hectares absorvem anualmente da atmosfera 1,88 bilhão de toneladas de CO2eq – medida que expressa a quantidade de gases de efeito estufa em termos equivalentes da quantidade de dióxido de carbono.

    Absorção de CO2eq no Brasil equivale a 1,88 bilhão de toneladas anualmente

    Junqueira lembra que a silvicultura cuida do solo desde antes do plantio. “Além de utilizarmos o plantio direto há muitos anos, nosso ciclo produtivo é longo, temos grande reciclagem de nutrientes e recuperamos o solo em nossas áreas plantadas”, ressalta.

    Stanley Gepp, gerente geral da divisão Florestal da John Deere, complementa, elencando ainda mais benefícios: “Não temos problemas de erosão nas áreas de cultivo das árvores, porque as raízes são profundas. Temos recuperação de detritos, de matéria orgânica, proveniente das cascas, dos galhos e das folhas que ficam 100% dentro da floresta. Então, a colheita florestal deixa dentro da fazenda, dentro do talhão, todo o resíduo”.

    Tudo isso torna esta atividade naturalmente positiva para o meio ambiente, mas o segmento vai além e é também um exemplo de conservação. Preservava, em 2019, 5,9 milhões de hectares de áreas naturais na forma de Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal (RL) e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e era ainda responsável pela recuperação de 32,7 mil hectares contemplados em programas de restauração de áreas degradadas.

    Para cada 1 hectare de florestas plantadas, cerca de 0,7 hectare de área natural é preservada

    Assim, para cada 1 hectare de florestas plantadas, conservava-se no país aproximadamente 0,7 hectare de área natural, panorama que, apesar da falta de dados atualizados, o setor garante ter se mantido em 2020.

    Como boa parte da produção oriunda desta agroindústria é destinada a grandes empresas e exportação, o setor aprendeu cedo a seguir padrões rígidos de controle ambiental. Em 2019, de acordo com o Ibá, 7,4 milhões de hectares deste cultivo possuía certificação independente na modalidade manejo florestal, garantindo a sustentabilidade e as boas práticas.

    Responsabilidade compartilhada

    E se a sustentabilidade está no cerne da atividade da silvicultura, a escolha de parceiros alinhados é fundamental. A John Deere se destaca neste aspecto. Junqueira ressalta que a empresa é a única a oferecer portfólio completo para a colheita em qualquer tipo de floresta. “Estamos no setor há muitos anos. Somos a única empresa com portfólio completo para colher qualquer condição de floresta plantada, com qualquer tamanho de árvore ou tipo de relevo. Mundialmente somos líderes na produção de equipamentos florestais”, assegura Gepp.

    John Deere é a única empresa a oferecer portfólio completo para colheita em qualquer tipo de floresta

    Junqueira aponta a melhoria contínua no maquinário oferecido pela empresa. “Nos preocupamos muito em produzir máquinas eficientes e amigáveis ao meio ambiente, que possam produzir com o menor custo por tonelada, ou seja, sendo eficiente na relação de uso de combustível por tonelada de madeira produzida; isso quer dizer, máquinas amigáveis ao meio ambiente. Não é só entregar o equipamento que faça uma boa colheita,  tem que produzir com segurança, sustentabilidade e custo competitivo”.

    A rotina na pandemia

    O Brasil é o país do mundo onde a silvicultura cresce mais rápido segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – FAO e o cenário de pandemia que o mundo vive impulsionou ainda mais a atividade. Foi justamente o que aconteceu com o João, personagem do início dessa matéria, que mudou hábitos de consumo ao transferir sua atividade profissional para dentro de casa.

    “Os produtos de higiene passaram a ser mais demandados e, com isso, os papéis para fins sanitários também. Para se ter uma ideia, os papéis para higiene demonstraram aumento de produção em 1,4%, chegando a 1,3 milhão de toneladas, em 2020”, comenta o embaixador José Carlos da Fonseca Júnior, diretor executivo do Ibá.

    “As exportações de celulose atingiram 15,6 milhões de toneladas, avanço de 6,1% em relação ao ano anterior. Algumas associadas chegaram a bater recordes de produção em um mês durante 2020”

    José Carlos da Fonseca Júnior

    Outros itens com consumo impulsionado pela pandemia foram embalagens de papelão, muito usadas nos pedidos de delivery, lenços de papel, e EPIs de saúde, como máscaras cirúrgicas, aventais e toucas hospitalares. “O ano de 2020 atingiu o segundo maior volume histórico de produção. Foram 20,953 milhões de toneladas fabricadas, avanço de 6,4% em relação a 2019. Aliás, o volume ficou bem próximo do ano recorde, que foi 2018, com 21,085 milhões de toneladas”, destaca o diretor do Ibá.

    Recente mudança de hábito dos consumidores aumenta uso de embalagens de papelão

    Olhar para o futuro

    Segundo o Ibá, até 2023 há investimentos anunciados ou em andamento para o setor na ordem de R$ 35,6 bilhões, destinados para florestas, novas fábricas, expansões, tecnologia e ciência.

    “O número é praticamente o dobro do registrado nos quatro anos anteriores, entre 2016 e 2019, quando foram realizados investimentos de R$ 18 bilhões para a construção de diversas novas unidades”, diz José Carlos.

    Enquanto em outros países não há muito mais espaço para plantar árvores, no Brasil há espaço de sobra, sem necessidade de entrar em área nativa

    Gepp esclarece que esse potencial de expansão se baseia principalmente na disponibilidade de áreas para o cultivo. “Não existe muito mais espaço para plantar árvores em outras partes do mundo. Mas no Brasil usamos apenas 1% da superfície do país com árvores cultivadas e temos ainda muito espaço, sem precisar entrar em nenhuma área nativa”, opina.

    “Existem perto de 10 vezes mais áreas que hoje estão degradadas e que poderiam ser convertidas parcialmente em floresta, inclusive fazendo uso do ILPF (Integração Lavoura Pecuária Floresta)”

    Stanley Gepp

    Dos mourões dos trilhos até o papel e a comida, a madeira das árvores cultivadas é parte da história nacional. Está presente do ‘bom dia’ ao ‘boa noite’ do João e de todos nós, ajudando a construir um futuro mais sustentável para o Brasil.

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